Por:Zózimo Tavares
Mesmo derrotado na eleição presidencial, o senador Aécio Neves é candidato a ser o principal trunfo do partido para 2018. A seu favor contam a pouca idade (52 anos), ainda estar na metade do mandato, ser o presidente nacional da principal sigla de oposição e, especialmente, ter conquistado nas urnas mais de 50 milhões de votos, um recorde para a oposição.
Os correligionários do senador avaliam que ele deixa a campanha com um capital político muito maior do que aquele que tinha. Sua derrota é relativizada, sobretudo em função da pequena diferença que o separou da vitória. Faltaram a Aécio 3.458.849 de votos, num universo de 105.536.615 de votos válidos, que representam diferença de 3,28 pontos percentuais.
Além do mais, ele tornou-se conhecido do eleitorado nacional e rompeu o regionalismo de seu nome. Durante a campanha, demonstrou espírito de luta e de liderança. A poucos dias do primeiro turno, era dado como carta fora do baralho, mas ele conseguiu passar a segunda colocada, Marina Silva, avançou além do esperado e disputou a eleição com a presidente Dilma voto a voto.
No caminho de Aécio Neves existem muitas pedras para as próximas eleições presidenciais. Se soube contagiar os aliados com entusiasmo e não deixou o moral cair nos momentos mais difíceis da campanha, ele terá que ser capaz, agora, de vencer disputa interna pela candidatura presidencial. Estão de olho nela nomes como Geraldo Alckmin, José Serra e Beto Richa.
O que pode dar um diferencial a Aécio Neves é justamente o fato de ele já estar aquecido para a disputa, com visibilidade em praticamente todo o país. E isso vai depender, evidentemente, do papel que venha a exercer como oposição ao governo petista. Os tucanos têm a mania ingênua de deixar para fazer oposição apenas durante a campanha eleitoral.
Esse tipo de oposição não funciona no Brasil. Para chegar ao poder, o PT passou 22 anos nas ruas, na mídia, nas portas das fábricas, nos palanques, enfim, em todo lugar, combatendo com garra o governo de plantão. Ou os tucanos aprendem com os petistas, fazendo oposição para valer – dentro de seu estilo, naturalmente – ou ainda passarão duros anos apanhando nas urnas.
As urnas que deram vitória a presidente Dilma indicaram também que o país tem sede de oposição. Só que, desta vez, Aécio não convenceu à maioria. Andou perto.