Governo do Piauí gasta meio milhão de reais em equipamento antigravação e levanta questionamentos

O Palácio de Karnak, sede do Governo do Piauí, autorizou a compra de um sofisticado equipamento de varredura eletrônica, ao custo de aproximadamente R$ 500 mil, para uso do Gabinete Militar da Governadoria. A aquisição tem como justificativa oficial a proteção de dados e a prevenção contra espionagem. O conjunto de aparelhos é capaz de detectar sinais elétricos, campos eletromagnéticos e identificar equipamentos eletrônicos ocultos, incluindo celulares escondidos e utilizados para gravações de áudio ou vídeo em ambientes internos do poder estadual.

O investimento, no entanto, desperta questionamentos. Por que destinar quase meio milhão de reais para impedir gravações? O que ocorre dentro do Karnak que exige um sistema tão avançado para localizar aparelhos eletrônicos e evitar registros não autorizados? O gasto chama ainda mais atenção diante da realidade do estado, que enfrenta carências na saúde, na educação e na segurança pública básica. Enquanto faltam recursos em áreas essenciais, cerca de R$ 500 mil são direcionados para um equipamento capaz de “varrer” ambientes e identificar qualquer dispositivo eletrônico ativo.

A medida também levanta dúvidas sobre o clima interno no centro do poder. Trata-se de excesso de zelo institucional ou de receio quanto à eventual revelação de práticas que não resistiriam à transparência? Em um cenário em que a sociedade cobra ética, clareza e responsabilidade no uso do dinheiro público, o investimento reforça uma pergunta incômoda: o temor é a espionagem externa ou a possibilidade de que gravações revelem o que acontece nos bastidores do Karnak? (Silas Freire)

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