Por:Zózimo Tavares
Quando me iniciei no jornalismo político, na cobertura das eleições estaduais de 1986, uma dos temas da campanha era a oligarquia. O PMDB, o principal partido de oposição no Estado, batia forte na oligarquia piauiense, apontando o ex-governador Hugo Napoleão e o deputado federal Freitas Neto, candidato a governador pelo PFL, como oligarcas.
Hugo e Freitas eram e são primos. Mas a campanha oposicionista pegou, e eles ficaram conhecidos como “príncipes da oligarquia”. O eleitor piauiense os via como oligarcas. O PMDB acabou ganhando a eleição, com a vitória do senador Alberto Silva para o governo, tendo como vice o ex-governador Lucídio Portella, cacique de outra oligarquia piauiense.
Pois bem! De lá para cá, o que mais se viu na política estadual foi oligarca. Até 2003, dentro de um limite aceitável. Com a ascensão do PT ao governo, foi implantada no Piauí o que o cientista político Cleber de Deus, professor da Universidade Federal do Piauí, chamou de “Oligarquia vermelha”.
No poder, o descaso do PT com o tema foi tão grande que o nepotismo na política estadual escancarou-se de vez, sendo praticado abertamente e sem o menor pudor por todos os partidos que têm influência no Estado. Nas eleições deste ano, por exemplo, o prefeito Firmino Filho, do PSDB, elegeu um sobrinho como deputado estadual.
No PT, o senador Wellington Dias elegeu-se governador e a esposa, que já é deputada estadual, ganhou um mandato para a Câmara Federal. No PSB, o ex-governador Wilson Martins candidatou-se a senador, perdeu a eleição, mas conseguiu eleger um irmão para deputado estadual e um sobrinho deputado federal.
No PP, o senador Ciro Nogueira reelegeu a esposa para a Câmara Federal; no PDT, o presidente Flávio Nogueira concorreu à Câmara, ficou na primeira suplência da coligação governista e reelegeu o filho para a Assembleia; no PSD, o presidente estadual Júlio César reelegeu-se como deputado federal e manda para a Assembleia um filho que ainda não tem 21 anos.
Não acabou: o governador Zé Filho (PMDB) perdeu a reeleição, porém reelegeu a esposa como deputada estadual… E mais: o deputado Warton Santos (PMDB), secretário de Desenvolvimento de Zé Filho, está pendurando as chuteiras, porém elegeu o filho Pablo para a cadeira dele na Assembleia;
Uma pena que neste espaço não dê para listar os nomes de todos os ilustres oligarcas que disputaram as eleições passadas no Piauí, onde já não se faz oligarquia como antigamente!
