Hélio Schwartsman – Folha de S.Paulo
Oque lutadores de MMA e prostitutas têm em comum? Ambas as categorias se
tornaram alvo de gente que acha que sabe melhor do que os próprios
envolvidos como eles devem viver suas vidas.
No
Brasil, o terrível acidente com Anderson Silva inflou o coro dos que
querem negar ao MMA o estatuto de esporte e até o dos que pretendem
proibir a transmissão de lutas pela TV. Enquanto isso, na França, berço
das liberdades individuais, o governo flerta com a ideia de tornar
ilegal comprar os serviços de uma prostituta, mas não vendê-los. Segue
os passos dos suecos, que adotaram medida semelhante. Não chega a ser a
proibição da profissão mais antiga do mundo –a única sociedade
industrializada que foi tão longe são os EUA–, mas configura um forte
golpe contra as profissionais do sexo.
Brasil, o terrível acidente com Anderson Silva inflou o coro dos que
querem negar ao MMA o estatuto de esporte e até o dos que pretendem
proibir a transmissão de lutas pela TV. Enquanto isso, na França, berço
das liberdades individuais, o governo flerta com a ideia de tornar
ilegal comprar os serviços de uma prostituta, mas não vendê-los. Segue
os passos dos suecos, que adotaram medida semelhante. Não chega a ser a
proibição da profissão mais antiga do mundo –a única sociedade
industrializada que foi tão longe são os EUA–, mas configura um forte
golpe contra as profissionais do sexo.
A
lógica que alimenta esses raciocínios é a mesma: tanto os lutadores como
as meretrizes são vítimas da sociedade. Trata-se, afinal, de pessoas
oriundas de classes desfavorecidas que, por não ter como resistir às
pressões econômicas, acabam concordando em fazer aquilo que não fariam
se tivessem escolha.
lógica que alimenta esses raciocínios é a mesma: tanto os lutadores como
as meretrizes são vítimas da sociedade. Trata-se, afinal, de pessoas
oriundas de classes desfavorecidas que, por não ter como resistir às
pressões econômicas, acabam concordando em fazer aquilo que não fariam
se tivessem escolha.
Em
muitos casos, mulheres caem na vida por falta de opção, não por
entusiasmo com a carreira. Creio que isso é mais raro no MMA, mas
admitamos que isso possa ocorrer. O problema com esse argumento é que
ele é forte demais. Se generalizarmos o raciocínio, teríamos de proibir
outras profissões pouco nobres, como a de limpa-fossas, que só existem
porque algumas pessoas têm poucas escolhas. Ao fim e ao cabo, teríamos
de, como Karl Marx, condenar todo trabalho assalariado não criativo.
muitos casos, mulheres caem na vida por falta de opção, não por
entusiasmo com a carreira. Creio que isso é mais raro no MMA, mas
admitamos que isso possa ocorrer. O problema com esse argumento é que
ele é forte demais. Se generalizarmos o raciocínio, teríamos de proibir
outras profissões pouco nobres, como a de limpa-fossas, que só existem
porque algumas pessoas têm poucas escolhas. Ao fim e ao cabo, teríamos
de, como Karl Marx, condenar todo trabalho assalariado não criativo.
No
mais, não estou tão certo de que não haja lutadores e prostitutas que
gostem do que fazem ou, ao menos, achem que a relação custo-benefício
lhes é favorável. Para afirmar o contrário, seria necessário impor a
todos um conjunto de valores morais inegociáveis, o que seria algo bem
estúpido de fazer.Magno Martins
mais, não estou tão certo de que não haja lutadores e prostitutas que
gostem do que fazem ou, ao menos, achem que a relação custo-benefício
lhes é favorável. Para afirmar o contrário, seria necessário impor a
todos um conjunto de valores morais inegociáveis, o que seria algo bem
estúpido de fazer.Magno Martins