A que a novela do transporte escolar no Piauí ganha mais um capítulo nada surpreendente. A coluna recebeu a denúncia que a empresa Marvão Serviços Ltda, responsável por contratos milionários com o poder público, aparece como a mesma estrutura empresarial que já foi citada e condenada no escândalo da Operação Topique investigação que revelou um esquema de fraudes e desvios de recursos destinados ao transporte escolar no estado. A Receita Federal não mente: o CNPJ é o mesmo. O que mudou foi apenas o nome fantasia, os sócios e a fachada. Como dizem por aí, trocaram “a camisa”. Ou, nesse caso, trocaram o motor, mas a Topic continuou a mesma.

Apesar de toda a repercussão da Operação Topique, dos julgamentos, das denúncias e das condenações, o fato é um só: a empresa jamais deixou de circular. Continuou rodando, faturando e mantendo contratos robustos com órgãos públicos, inclusive com prorrogações recentes publicadas no Diário Oficial. Enquanto isso, motoristas já denunciaram jornadas excessivas e chegaram a paralisar atividades. A empresa negou irregularidades — mais uma vez. Mas o ponto central permanece: como uma empresa com histórico tão controverso segue atuando sem qualquer entrave, como se nada tivesse acontecido?
O caso reacende a velha pergunta que insiste em perseguir o transporte escolar no Piauí: quem realmente fiscaliza essas contratações? Porque, ao que tudo indica, até quando troca de dono, troca de nome e muda de cor, a gestão pública não perde a mania de contratar sempre os mesmos. O fato está aí, comprovado nos cadastros públicos: mesmo CNPJ, mesma estrutura, mesmo caminho. Só a placa da porta mudou. (Silas Freire/Encarando)