O eleitor nem entrou no jogo

Por:Zózimo Tavares

A semana se encerra com o mundo político ainda falando na possível candidatura do governador Zé Filho (PMDB) à reeleição, numa hipotética situação em que o pré-candidato oficial, deputado Marcelo Castro, não decolando nas pesquisas, seria levado a desistir da candidatura. Todo o rebuliço em torno do caso apenas ratifica o caráter abstrato da política.
A verdade é que a campanha nem começou ainda. Até as convenções de junho, ainda são quase dois meses de discussões e entendimentos – e especialmente articulações e andanças dos pré-candidatos para angariar apoio político e simpatia popular. Tudo pode acontecer. Embora possa existir um desejo latente em Zé Filho de disputar a reeleição, e é natural isso, ele tem a palavra dada, antes de assumir o cargo, de que não seria candidato.
Enfrenta ainda o problema do tempo de governo, muito curto para trabalhar uma candidatura à reeleição. Uma decisão agora de ser candidato teria grande chances de não apenas esfacelar a aliança governista como dar de mão beijada o governo para a oposição. Um outro dado importante a se observar é a ansiedade entre os que rodeiam o governador. Muitos querem colocar na cabeça de Zé Filho que ele deve ser candidato porque Marcelo Castro não decola nas pesquisas.
É apenas mais um equívoco. As pesquisas apontam que o eleitor não está ainda preocupado com as eleições. Segundo as últimas pesquisas, 50% do eleitorado piauiense não têm nenhum interesse ou tem baixo interesse nas eleições. Só 14% estão interessados no assunto. Ou seja, a grande maioria ainda está alheia ao processo eleitoral. Os especialistas dizem que deve-se a isso o fato de Wellington Dias ter disparado nas intenções de voto e Marcelo Castro estar lá embaixo.
O senador é conhecido, governou o Estado dois mandatos, tem realizações. Essa visibilidade resulta em intenções de votos. O deputado, por sua vez, é um campeão de votos em eleições proporcionais, mas campanha majoritária é diferente. E, frise-se, nem começou ainda o jogo. Neste cenário, como diz o deputado Themístocles Filho (PMDB), é melhor todo mundo esfriar a cabeça e deixar o povo se manifestar. Talvez seja melhor dar tempo também ao povo. Ele nem entrou no jogo ainda.

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.