Por:Arimatéia Azevedo
Da forma como está, a legislação eleitoral e, se duvidar, muitas leis no país, induzem a se praticar o que ocorreu com os R$ 180 mil encontrados debaixo do banco do motorista do senador Wellington Dias, no interior da Bahia. Num país onde a carga tributária é das maiores, chegando a ser escorchante, o jeito que o brasileiro encontra é apelar para a informalidade, ganhando, vendendo ou prestando serviços sem carimbar o dinheiro que entra ou sai. E a culpa é exatamente dos senhores que disputam mandatos. Falta – e a eles não interessa – uma rígida reforma política que permita, nesse caso em discussão, que o candidato e seu doador ajam às claras. É comum se ouvir que a eleição de um deputado federal custa acima de R$ 5 milhões e as do senador e do governador a perder de vista. Ou seja, os gastos são estratosféricos, mas o que é declarado para a Justiça Eleitoral é de matar de rir os próprios coordenadores do pleito. Hoje, numa campanha eleitoral não se paga apenas pelo serviço, mas pelo próprio voto, embora, na cancha do ‘faz de conta’, o candidato diga que não e a justiça eleitoral faça de conta que a campanha se desenvolve na mais democrática das situações. Como fazer uma reforma política com os políticos que estão aí? Eles vão chutar o próprio umbigo? Lamentavelmente, o patrimonialismo não tomou de conta apenas do Congresso Nacional, mas de todos os setores da política brasileira. Virou moda o político amealhar poder e uma fabulosa renda familiar através do mandato. Do dele, da mulher, do filho, do sobrinho, do irmão e por aí vai. Somente um segmento poderia se voltar contra esse estado de coisas e forçar profundas reformas: o eleitor, mas, infelizmente, apesar dos arrufos, das depredações que faz em manifestações públicas, a maioria ruge como verdadeiro leão nas ruas, mas nas urnas age como um asno.
