O Piauí tem três dos patrimônios mais extraordinários da América do Sul

Enquanto americanos constroem parques milionários em cima de “um buraco no chão” — o Grand Canyon recebe 6 milhões de turistas por ano e movimenta bilhões — o Piauí tem três dos patrimônios mais extraordinários da América do Sul e mal consegue manter as luzes acesas.
Na Serra da Capivara, registros humanos de 50 mil anos. Pinturas rupestres que reescrevem a história da colonização das Américas. Um acervo que deixa arqueólogos do mundo inteiro sem fôlego. Nos EUA seria parque nacional com aeroporto regional, museus interativos, documentários na Netflix e merchandise nas prateleiras do mundo. Aqui, uma pesquisadora francesa chamada Niède Guidon gastou décadas da própria vida — e recursos próprios — para evitar que o lugar fosse simplesmente esquecido pelo país que deveria protegê-lo.
Pode ser uma imagem de texto que diz "O BRASIL E SEU DESCASO COM VERDADEIROS TESOUROS PI VIENSE"
Em Sete Cidades, formações rochosas esculpidas por milhões de anos e paisagens que parecem outro planeta. Nos anos 60, estudiosos europeus sugeriram que as inscrições do local eram de origem fenícia. Nos EUA isso teria virado série na History Channel, livros bestsellers e debate nacional por décadas. Aqui virou curiosidade esquecida na caatinga.
E o caso mais absurdo: a Floresta Fóssil de Teresina. Troncos fossilizados de 280 milhões de anos — período anterior aos dinossauros — preservados no meio urbano da capital. O equivalente americano, o Petrified Forest National Park, recebe 700 mil visitantes por ano e tem museu, trilhas e centro de pesquisa internacional. Em Teresina, a madeira fossilizada virou calçamento de rua. Sem estudo. Sem proteção. Sem cerimônia.
O Piauí carrega uma linha do tempo da vida na Terra. Nenhum lugar do mundo tem essa densidade cronológica tão acessível — e tão negligenciada ao mesmo tempo.
O Brasil não é pobre em patrimônio. É pobre em olhar para o que tem. (Fonte: O Piauiense)

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