O Planalto não perdoa

Por:Zózimo Tavares
Se o governador Zé Filho quiser efetivamente romper com o governo federal, como sinalizou, motivo ele tem de sobra. O que resta saber é se ele está preparado para a reação, comumente violenta e desproporcional. O poder central não aceita que um governador de um Estado pobre se insurja contra ele. Nunca aceitou! E reage sempre com represálias.
Na história recente do Estado, o primeiro governador a se rebelar contra o governo federal foi Hugo Napoleão. Na sucessão presidencial de 1985, a última através do Colégio Eleitoral, o candidato do Planalto era o ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, do PDS, o partido do governo.
No Piauí, o governador Hugo Napoleão divergiu da orientação política palaciana e se compôs com o candidato da oposição, o ex-governador mineiro Tancredo Neves, da Aliança Democrática, formada pelo PMDB e a ala dissidente do PDS, abrigada então na nascente Frente Liberal, mais tarde PFL.
O presidente da República era o general João Figueiredo. Hugo teve a delicadeza de pedir-lhe audiência para comunicar sua decisão. Figueiredo ouviu o governador piauiense e, logo que ele saiu de sua sala, mandou passar um pente fino nos convênios do Estado e demais transferências e trancou tudo.
Deve-se ressaltar que o presidente Figueiredo não morria de amores pelo candidato de seu partido. Mas considerou uma petulância o governador do Piauí querer afrontar o poder da República, anunciando o seu apoio para o candidato da oposição, que, por sua vez, também não era tão malquisto no governo. Mesmo assim, o presidente reagiu com dureza à decisão do governador piauiense.
Mais adiante, na sucessão presidencial de 1989, a primeira por voto direto, o governador Alberto Silva deu as costas ao candidato de seu partido, deputado federal Ulysses Guimarães, para apoiar o do PRN, Fernando Collor. O presidente Sarney não reagiu com o mesmo furor do general Figueiredo, mas deixou Alberto a pão e água até o fim de seu mandato.
O governador Zé Filho conhece bem essas duas histórias!

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