O SERTANEJO É ANTES DE TUDO UM FORTE

Por:Reginaldo Costa
Ninguém pode negar que FHC governou tendo as elites como aliada incondicional. O que não se pode admitir é um governo que se estabelece com amplo apoio popular, jogar pra debaixo do tapete, a essência dos compromissos assumidos com cidadãos historicamente privados de direitos. Se de dez em dez anos, a vida na Caatinga, em que predomina a miséria, é drasticamente alterada pela tragédia anunciada da seca; de governo a governo, as promessas de solução do problema se renovam, sem alterar o dia a dia do sertanejo que ao longo da sua existência, se depara com o mesmo cenário: lavouras de subsistência transformadas em pó; homens e mulheres morrendo de fome e sede; a fauna, exposta ao sacrifício, tornando assustadora a paisagem.
Como se fora pouco, em meio à desgraça humana, surge a famigerada indústria da seca, a emperrar projetos, evaporando os sonhos de mudança da triste realidade. De 1877, quando cerca de 500 mil pessoas morreram, a 1959, com o surgimento da SUDENE, criada com a intenção de fortalecer a economia regional, extinta pela indecência da corrupção, o que se ouve são conversas contumazes pra boi dormir. Inclusive o presidente nordestino, que governou por 8 anos, assumindo o compromisso de consolidar a Reforma Agrária e o projeto de transposição do Rio São Francisco, deixou a esperança se esvair permitindo que 7 milhões de brasileiros permanecessem em situação de extrema pobreza, apesar dos midiáticos programas assistencialistas.
No livro “Os Sertões”, Euclides da Cunha disse que “O sertanejo é antes de tudo, um forte”. Não o fosse como resistiria às condições adversas, impostas pela natureza e a crueldade do sistema político? Para amenizar o sofrimento, só mesmo a fé, para renovar as forças no enfrentamento da calamidade cíclica das secas e das injustiças sociais. 
De sã consciência, não dá pra ignorar alguns avanços, mas não podemos nos envaidecer com a associação do Brasil a país desenvolvido. Fugindo de demandas fundamentais, entre elas, a Reforma Agrária, não há o que comemorar. Afinal, é no campo que se encontra a harmonia das grandes cidades.

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