As pessoas, principalmente os caciques políticos, têm se inquietado com osilêncio a que se submeteu o vice-governador Zé Filho depois que, na
semana passada, foi anunciada a proposta de aliança entre PMDB-PSDB-PSB
para formação da chapa que terá, respectivamente, Marcelo Castro para
governador, Silvio Mendes, vice-governador e Wilson Martins, senador.
Inquietam-se os que se valem da especulação para produzir factoides ao
seu gosto e prazer. Inquietam-se os que fazem fuxico em cada mesa, cada
esquina. Inquietam-se os que descreem nessa arrumação e, por paradoxal
que seja, regojizam-se (pois também inquietam-se) os que sempre
trabalharam para que nada desse certo. O silêncio do vice é
inquietante, sim, para os que apostam no quanto pior, melhor. A última
aparição pública de Zé Filho foi quando ele chegou a afirmar que poderia
concordar com a chapa anunciada, mas deixou a entender (ou os
especuladores procuraram decifrar nas entrelinhas) que os entendimentos
atuais não são definitivos e que novos cenários podem surgir. Após o
barulho ensurdecedor provocado pelo anúncio da grande aliança costurada
por Wilson Martins, o vice saiu de cena, fez um mergulho profundo,
procurando isolamento em sua fazenda, no município de Buriti dos Lopes.
Mas ele retornou a Teresina na quinta-feira e vem, silenciosamente,
obdecendo ordens médicas. O silêncio do vice é proposital, sua intenção é
calar, enquanto cabeças esvoaçantes dão margem à imaginação de que ele
espera que o governador se afaste para que ele possa assumir o comando
da sucessão. Óbvio ululante. Outros especulam que o vice espera que o
‘cabeça da chapa’ anunciada não decole nas pesquisas e assim possa
substituí-lo como candidato a governador. Há até quem espalhe que,
assumindo, Zé lave as mãos para a eleição e fique apenas assistindo de
camarote a disputa política. Portanto, o silêncio do vice é inquietante.
Lembra Chico Buarque, em bela letra da consagrada música ‘Agora Falando
Sério’: “Eu quero fazer silêncio/
Um silêncio tão doente/Do vizinho reclamar/E chamar polícia e médico/E o síndico do meu tédio/Pedindo pra eu cantar”.
Por:Arimatéia Azevedo