Opinião : O DOUTOR PESSOA DO DOM BARRETO

Há uma crença disseminada no âmbito político e sociedade em geral, que uma “timocracia” (“governo detécnicos”) administraria um país, estado ou município, pautando exclusivamente a atuação da oligarquiagovernante, e por conseguinte, da burocracia sob seu controle, por medidas técnicas e planejamento estratégico daspolíticas públicas a serem implementadas. É meramente superstição política.

Apresentado pela mídia “estatizada e profissional” (convencional e virtual) com um “perfil técnico” e sendo um “gênio”, o governador Rafael Fonteles (PT), mostra-se um administrador claudicante e alheio à realidade socioeconômica do Piauí e com extrema falta de sensibilidade política no que tange ao gerenciamento da máquina pública. No plano mental, sua “orquestração” sugere uma série de projetos “inovadores e futuristas”. Todavia, alguns são incapazes de serem executados até em países ricos. Puramente fantasias irrealizáveis sob quaisquer circunstâncias em solo piauiense.

Dentre as ficções governamentais, arrolam-se: a indústria e comercialização do hidrogênio verde (H2V) e ferro gusa, o Porto de Luís Correia (inaugurado e sem movimentação de navios), o mundo digital da Estônia aplicado ao contexto piauiense (sem conexão), projetos de mineração, transporte de veículos leves sobre trilhos (VLT) e as secretarias artificiais de inteligências. Em sonho karnackiano, no agregado, tudo resultaria em investimentos de 100 bilhões de reais num curtíssimo prazo. O PIB do Piauí é aproximadamente de apenas 75 bilhões de reais. A mágica seria gigantesca.

O contraste entre o Piauí ideal versus real é abissal: índices elevados de analfabetismo, problemas sérios de fornecimento de energia e água nos municípios, acesso precário à internet (Piauí desconectado), dependência de transferências federais (aproximando 50% do PIB/PI), engessamento das contas públicas, etc. Há algo positivo a se indicar? Improvável!

Diante disso, nota-se que a “mentalidade gestora do governador” não se coaduna com os reais problemas do Piauí e a fachada modernizante é tão-somente uma cantilena sem ritmo e desafinada. Faz-se necessário destacar que capacidade administrativa não possui relação com “genialidade” matemática ou qualquer outro campo de expertise. Fundamentalmente, o Piauí gestou um Dr. Pessoa escolarizado. As consequências estão surgindo e virão ainda com maior intensidade e impacto. E os “Pessoinhas” da administração estadual? …


Por: Cleber de Deus
Professor PhD em Ciências Políticas

(Fonte: Encarando)

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