Opinião: União por Parnaíba?Nunca!

POR: BERNARDO SILVA

Cá da minha varanda, olhando meus gatos e sob o ronco da minha cachorra,  acompanho, contristado, quão rasteira é a discussão política nos dias atuais. Discute-se de tudo, menos o que importa, a essência, o que faria realmente bem às pessoas. Há uma guerra de interesses pessoais, de egos, onde o debate sobre o sexo dos anjos é mais importante do que o vislumbre do raiar de novos tempos, novos ares, novas ideias. E essa mesmice me adoece. Cansa minha beleza (rsrs).

Novamente vem à baila a conversa de “união pela Parnaíba”, união dos parnaibanos, já gritada a plenos pulmões em tantas outras campanhas políticas. Sim, já foi deflagrada a campanha eleitoral com um nome de fantasia – pré-campanha. E porque a Gracinha Moraes Sousa, filha do prefeito Mão Santa e de dona Adalgisa, é candidata a deputada, pregam que todos os parnaibanos devem dar bananas para qualquer um outro candidato que estiver na pista, disputando o mesmo cargo. É isso o que estão pregando em redes sociais, através de banners. E a promessa é que, com Gracinha eleita, Parnaíba será outra, com muitos recursos, mais emprego, etc. & etc. E não é assim. Gracinha eleita deputada será só mais uma dentre 30. Deputados que, se aliado do governo, pode alguma coisa. Mas se for contra, é só mais um, remando contra a maré. Isso deve ser dito, sob pena de se estar vendendo gato por lebre. 

Vejam aí o Brasil discutindo a viabilidade de uma terceira via, para que o país tenha algo, para escolher nas eleições,  além da mesmice que é a polarização Lula X Bolsonaro. E quão difícil está sendo trabalhar o jogo de interesses, a vaidade dos pretensos candidatos, enfim, “a união” de todos em torno do interesse maior que é o Brasil. E em Parnaíba querem “unir” toda a cidade para votar apenas na Gracinha, para deputado estadual, e jogar pedra nos demais que pretenderem a mesma coisa. Como se só a Gracinha quisesse o bem da cidade, amasse Parnaíba e pudesse, realmente, sintetizar todos os sentimentos dos cidadãos deste terra. E pergunto: quem era Gracinha antes de ter um cargo na Prefeitura, onde o pai prefeito, o Mão Santa, deixou-a à vontade, inclusive para brigar com meio mundo e utilizar, a seu bel prazer, os recursos de quase todas as secretarias, na infraestrutura, sob o silêncio criminoso da Câmara Municipal.  Qual o trabalho que ela fez antes, como voluntária,  por Parnaíba e pelos parnaibanos? E agora só a Gracinha pode ser deputada estadual? Feito o Chapolin Colorado, só ela pode nos salvar?!!!

Desde os tempos do velho Alberto Silva que ele pregava  que deveríamos ter um só Partido no Estado- o PP, Partido da Piauí. E a mesma sigla também servia para Parnaíba. Nunca deu certo. E no rádio, onde comecei trabalhar ainda nos anos 70, quantas campanhas fizemos para que o parnaibano não votasse nos candidatos “copa do mundo”, ou seja, os que aqui só apareciam de 4 em 4 anos? Não deu certo! Mas sabem a razão? O eleitor. Sim, o eleitor que se vende e que é tão culpado de tudo o que está aí, quanto o candidato corrupto e ladrão. E por isso o cenário político está cheio de TREPEÇAS!

É uma questão até cultural. O eleitor não vota em propostas, em ideologias, em programa de governo. Vota na vantagem. Na esmagadora maioria vende o voto ou vota pela cara, no cara que conhece, na amizade, enfim, com raras exceções, ele não vota em algo maior, mais amplo, com resultados coletivos. Amor à terra em que nasceu? Sentimento zero. Como mudar isso? Quem souber, escreva para a redação. Portanto, parem de fantasiar e de falar besteira pregando a união da Parnaíba em torno do nome da filha do Mão Santa. Parnaíba já deu demais a esta família. É hora de cobrar o retorno, que até agora foi muito aquém do que eles usufruírem dos mandatos que os parnaibanos lhes deram. É o meu pensamento. Ninguém é obrigado a pensar igual. E viva a democracia e a liberdade de expressão!!!

 

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