Alto valor da obra
Essa semana especialistas em Logística industrial estiveram no Piauí e levantaram uma questão que merece reflexão, a forma como decidiram realizar a atual obra do Porto de Luís Correia está se revelando uma decisão administrativa do atual governo que pode ter encarecido a obra significativamente.
Foto: Reprodução![]()
A lógica foi para o lixo
A questão é simples: quando a obra foi retomada, a lógica mais natural seria continuar exatamente do ponto em que ela havia parado, aproveitando o que já estava feito e preservando o planejamento técnico existente.
Mas não foi isso que aconteceu.
O governo decidiu mudar o local do cais do porto. E o fez, ao que parece, sem ouvir quem realmente entende de engenharia portuária. Essa decisão, segundo técnicos da área, pode ter sido um erro grave.
Algo sério
Ao alterar o ponto do cais, o projeto precisou ser redesenhado, novas intervenções passaram a ser necessárias e o custo da obra cresceu. Resultado: milhões de reais a mais para os cofres públicos. Para uma combalida situação fiscal como a do Piauí isso é algo muito sério.
E não é exagero dizer que parte desse dinheiro pode ter sido gasto de forma absolutamente ineficiente, fruto de uma decisão administrativa que ignorou a lógica técnica do projeto original.
Foto: Reprodução/Foto: Gabriel Paulino![]()
Há ainda outro ponto que chama atenção.
Em obras portuárias pelo mundo, o material retirado da dragagem — os chamados rejeitos — costuma ser utilizado para aumentar a retroárea do porto, ampliando o espaço operacional e reduzindo custos logísticos. No caso do Porto de Luís Correia, isso também não foi feito.
Ou seja: além de ampliar o trecho de dragagem, aumentando custos, o governo também deixou de aproveitar o próprio material retirado da obra para expandir a área operacional do porto. Resultado prático: gastou-se mais e aproveitou-se menos.
Mas o debate sobre as escolhas técnicas da obra ganhou um elemento novo e decisivo nos últimos dias.
A decisão da Justiça que muda o contexto
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) absolveu os ex-secretários de Transportes Luciano Paes Landim, Norma Sales e Alexandre Nogueira, além de outros servidores e ex-servidores públicos que haviam sido acusados de possíveis irregularidades na condução das obras do porto.![]()
Advogado Alexandre Nogueira é absolvido pelo TRF de uma decisão teratológica e injusta de juiz do Piauí.
Velha narrativa
A decisão desmontou uma narrativa que se usou para justificar decisões administrativas sobre a obra e que escancarava uma desconsideração sobre o que havia sido feito e foi simplesmente ignorado pelo atual governo.
Depois de analisar novamente as provas do processo, o tribunal concluiu o que muitos já diziam desde o início: não havia prova de desvio, enriquecimento ilícito ou qualquer tipo de crime na condução da obra. Em resumo: não houve crime. (Portalaz)