Por:Fernando Gomes(*)
Parafraseando Zé Ramalho, autor da letra e música “admirável gado novo” começo este artigo
nomeando-lhe o título com uma estrofe de refrão, poderia até usar toda a letra que cairia bem com o atual momento político do Piauí em razão dos 70% de votos dado à presidente Dilma Rousseff nessa eleição e pela sua declaração de amor ao nosso estado. Caberia mais: “Vocês que fazem parte dessa massa / que passa nos projetos do futuro / é duro tanto ter que caminhar / e dar muito mais do que receber…”.
Se é verdade que Dilma e outros petistas amam o Piauí, cabe-nos perguntar por que eles estão
no poder central há quase 12 anos e não se esforçaram para tirar nosso povo da condição de humilhante pedinte? Qual a obra que mudou o quadro de pobreza do estado, senão a esmola dos programas sociais?
Os dois primeiros mandatos de Lula coincidiram com os de Wellington Dias aqui como governador
sem conseguir desenvolver um programa que levasse nossa maioria excluída a uma condição de dignidade. Wellington também ama o Piauí, ele foi eleito senador e com dois anos tentou a prefeitura de Teresina, perdeu. Este ano foi candidato a governador outra vez e ganhou. Ele ainda tinha mais 4 anos de senado, mas seu amor pelo nosso estado é tanto que resolveu se “sacrificar” para vir governar de novo o Piauí.
Diga-se de passagem: um estado quebrado, estourado nas finanças no limite prudencial, com escolas sucateadas, saúde na UTI, violência explodindo em todos os grotões…, enfim um quadro caótico como ele mesmo apresentou em seu programa eleitoral. Pergunto-me: o que move um senador da república lagar o “bem bom” de Brasília para administrar um estado quebrado? Acho que só sendo “amor” mesmo!!!
Começo a crer que a máxima de Joseph Goebbels tem razão de ser: “uma mentira repetida mil
vezes torna-se verdade”. Mentir, mentir e mentir. Essa foi a arma que o PT usou e usa para chegar e/ou permanecer no poder. Assim ocorreu aqui em Parnaíba na eleição municipal. Florentino Neto foi eleito com o discurso da moralidade, da ética, do zelo à coisa pública, da participação da sociedade na gestão, enfim aquilo que o povo gostaria de ouvir. Mas, o que se vê é outra coisa…!
É assim que eles fazem, são profissionais nisso, aprenderam ligeiro. O discurso fácil levado às pessoas com o único objetivo de chegar ao poder é a especialidade de muitos petistas (há exceções, raras, mas há). No entanto, depois de eleito o que se vê na prática? Relembrando, estamos completando dois anos de mandato de Florentino e não se verifica quase nada daquilo que fora prometido em palanque, muito menos ainda do que está escrito, do que está registrado em seu plano de governo.
Os seus pupilos retrucam, “mas ele só tem dois anos de governo”. Sim, mas levando-se em conta
que ficou por 4 anos como chefe de gabinete e mais 4 como vice-prefeito teria condição de avançar na gestão, uma vez que conhece como poucos a administração municipal. Falta o quê?
O governador eleito, recentemente, seguiu na mesma balada, mentindo e prometendo ganhou mais uma vez o direito de governar a terra piauiense. Contra fato não há argumento. Ele ganhou a eleição
fragorosamente! Mas, aí é que está o “x” da questão. Como o PT conquistou e conquista o voto?
Vamos a um dado interessante: 1.235.203 eleitores piauienses votaram na presidente Dilma do PT.
Atualmente, são 451.137 famílias que recebem Bolsa Família no estado, se nós multiplicarmos esse número pela média da família brasileira, apontado pela Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD), que é de 3,8 pessoas por domicílio, temos pelo menos 1.714.303 beneficiários. A população do Piauí é de 3.140.213 habitantes, logo, mais da metade da população está incluída nesse programa de transferência de renda. Coincidência ou não eles diziam aos quatro cantos que os outros candidatos iam acabar com o Bolsa Família e foi essa parcela significativa que elegeu e elege os petistas. Eles apelam para a ignorância e lastimável condição (des)humana que vive essa gente.
Que leitura pode-se fazer disso? Quais foram os investimentos dados ao estado do Piauí para que ela abocanhasse tal votação, correspondendo a 70,61%?
A votação que teve o PT nesta última eleição aqui no Piauí se assemelha ao número de habitantes
dependentes do Bolsa Família. Uma população que tem uma renda per capita inferior a R$ 140 mensal.
Ora, pra quê estrada? Pra quê obras estruturantes? Pra quê saúde funcionando? Pra quê escolas de qualidade? Basta uma esmola e aí você tem o povo sempre mantido no cabresto.
Quem bem definiu isso outro dia foi meu colega Geraldo Carvalho ao afirmar: “Do ponto de vista econômico, a consequência é a perpetuação da miséria e das desigualdades sociais. Do ponto de vista
político, é a utilização desse programa como mecanismo de manipulação eleitoral. Os governos, em todas as esferas do Estado, têm o Bolsa Família como um instrumento de cooptação. Assim, o Bolsa Família se define como um programa de compra de votos”, opinou o sociólogo.
(*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte e parnaibano.
