Preconceito (contra parnaibanos) que vem de longe

          O GOVERNADOR Wilson Martins e o deputado Marcelo Castro já suam a camisa por 2014
O
vice-governador Zé Filho, excluído da chapa majoritária à sucessão do
governador Wilson Martins, é vítima de um preconceito histórico das
elites políticas do Piauí contra os parnaibanos. Seus conterrâneos que
chegaram ao poder ocuparam o Palácio de Karnak ou porque se favoreceram
de um golpe de sorte ou porque remaram contra a maré.
Nas
eleições de 1958, Chagas Rodrigues tornou-se governador por um
acidente, literalmente. Ele era deputado federal pelo PTB e concorria à
reeleição. O candidato das oposições, Demerval Lobão, morreu num trágico
desastre de carro 30 dias antes da eleição. Chagas, filho de
tradicional família parnaibana, foi lançado na última hora e venceu o
pleito.
Empossado, fez um governo inovador, especialmente no
campo social. Era um governante popular. Saiu para concorrer ao Senado.
Perdeu a eleição, pois houve um pacto das elites para cortar suas asas.
Depois, no regime militar, teria os direitos políticos cassados por dez
anos. Só conquistaria o mandato de senador em 1986.
Outro
parnaibano azarão foi Alberto Silva, que no início dos anos 1970 caiu no
governo de paraquedas.  Nomeado pelos quarteis, bagunçou o coreto dos
políticos piauienses.  Fez um governo revolucionário, com obras
espalhadas por todo o Estado. Embalado no prestígio do primeiro governo,
voltou ao Karnak, em 1986, pelo voto popular. Elegeu-se senador em
1998.
Finalmente, o maior azarão de todos foi Mão Santa,
ex-prefeito de Parnaíba. Tudo o que ele queria era ser candidato a
vice-governador, em 1994. Seu partido não lhe deu a vaga. Ele mudou-se
para outra sigla, o PMDB, fez uma campanha messiânica como nunca se viu
no Piauí e ganhou o governo. Reelegeu-se. Foi cassado e elegeu-se para o
Senado.
Em comum entre os governadores parnaibanos o fato de
que foram os que mais se entenderam com Teresina. Foram também os
governantes mais populares da história do Piauí, para desconforto de
nossas elites políticas. Quem sabe esteja aí uma explicação mais
convincente para a tentativa de degola antecipada do vice-governador Zé
Filho da sucessão de 2014.
Edição:blogdobsilva.com.br
Texto:Zózimo Tavares

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