Presidente do TCE alerta prefeitos que contratam shows milionários em meio à emergência

Por Breno Moreno

Presidente do TCE alerta prefeitos que contratam shows milionários em meio  à emergência - Congresso das Cidades - Cidadeverde.com

  • “O prefeito decreta emergência no município, ele está dizendo que tem gente que não tem o que comer, que posto de saúde não tem medicamento, que escola não tem merenda, aí paralelamente a essa realidade, ele vai fazer o aniversário do município e trazer uma banda de R$ 1 milhão. No meu entendimento isso é um ato de improbidade, um ato desonesto”, destacou.
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Shows x obras

O conselheiro ressaltou que não há impedimento para a realização de festividades, mesmo diante de situações emergenciais, mas pontuou que as prefeituras precisam adotar alternativas mais econômicas e adequadas à realidade dos municípios.

“O município não pode trazer um cantor renomado? Depende, porque tem o princípio da economicidade, que deve nortear a gestão. Quantos talentos não temos na cidade, que podem fazer um evento dessa magnitude com um custo bem pequeninho. Nisso ainda estaria valorizando a cultura local e não está jogando recursos, que poderiam ser alocados em outras áreas, fora”, alertou. 

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Diante disso, Barros afirmou que os recursos aplicados em shows milionários poderiam ser alocados em obras que beneficiaram e causariam mais impacto para a cidade e para sua população.

“Às vezes, não têm parques esportivos na cidade e as pessoas fazem caminhada na pista de entrada da cidade. Será que R$ 1 milhão aplicado em lugar em que o terreno não custa caro, não daria para fazer um parque ecológico?”, questionou.

Prevenir e evitar desperdício é mais eficaz do que punir

Durante sua fala, o presidente do TCE-PI também defendeu que a atuação dos órgãos de controle deve priorizar a prevenção de falhas na administração pública, em vez de se concentrar apenas na punição de gestores após a ocorrência de prejuízos. 

Com a palestra “Controle Externo como Indutor da Qualidade nas Políticas Públicas: Muito Além da Legalidade”, o conselheiro argumentou que  o papel do TCE, por exemplo, deve ser mais do que a mera  análise de contas públicas ou apenas a punição de gestores por má condutas administrativas, mas evitar o desperdício de recursos.

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“Em uma prestação de contas, que abrange as ações de doze meses, qual o melhor resultado que o Tribunal pode oferecer à população? É a divulgação de uma ação preventiva que evitou a má aplicação de recursos, ou a constatação, a posteriori, de desvios e prejuízos? A constatação do prejuízo demonstra que o dano já ocorreu. A ação preventiva, por outro lado, protege a população do desperdício de recursos públicos”, afirmou.

O presidente do Tribunal de Contas ressaltou que tem observado uma mudança de postura entre os gestores piauienses, que passaram a demonstrar maior preocupação com os resultados concretos das políticas públicas, em áreas como educação, saúde, mobilidade urbana e adoção de tecnologias modernas, do que apenas com a conformidade legal dos gastos.

“Os gestores têm demonstrado maior preocupação com esses aspectos, em vez de apenas cumprir a legislação. É importante considerar que, ao assumir o governo de um município, muitas vezes, o gestor, mesmo com boas intenções, pode carecer de experiência. Nesse contexto, o Tribunal de Contas, como órgão de controle externo, assume um papel fundamental. Nossa atuação não se limita à fiscalização e punição, mas se estende à orientação, visando prevenir as falhas, em vez de apenas detectá-las. A prevenção é mais eficaz do que a correção”, enfatizou.

Por fim, Barros ressaltou também a crescente participação da população em conselhos e no acompanhamento das gestões. Esse envolvimento, segundo ele, gera uma “pressão positiva” sobre os gestores, incentivando a busca por práticas mais eficientes e alinhadas ao interesse público.

“Atualmente, a lógica dos órgãos de controle está em sintonia. Os cidadãos estão mais participativos em conselhos, mais interativos, e buscam o Tribunal para interagir. Essa maior participação da sociedade exerce uma pressão positiva sobre os gestores, incentivando-os a buscar resultados concretos e a se alinharem com as melhores práticas de gestão”, finalizou o presidente do TCE-PI.

Relevância do Congresso das Cidades

Após a palestra, Kennedy Barros destacou a importância do Congresso das Cidades, maior evento municipalista do estado, para discussão de aspectos da gestão pública e para capacitar prefeitos e prefeitas. Para ele, o evento reúne especialistas de diversas áreas e oferece aos municípios a oportunidade de trocar experiências e adotar boas práticas de gestão.

“Parabenizo a iniciativa do grupo Cidade Verde, por promover um fórum de debate desta natureza. Nele, se apresentaram palestrantes renomados e com expertise nas áreas de atuação. Os municípios, habituados a boas práticas, encontram nesta ocasião uma oportunidade singular para compartilhar experiências e adquirir novos conhecimentos. A interação proporcionada visa, em última instância, oferecer à população, que financia a sociedade através de seus impostos, o retorno esperado: um serviço público de qualidade”, destacou.

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