A política de comunicação do Governo do Estado do Piauí entrou no centro de uma grave controvérsia após auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) identificar indícios de superfaturamento que podem chegar a 1.466% em contratos de patrocínio firmados nos anos de 2023 e 2024. Com base nas constatações técnicas, o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) recomendou a suspensão imediata dos contratos celebrados por meio de agências de publicidade.

O relatório aponta possíveis irregularidades como sobrepreço expressivo, contratações consideradas incompatíveis com normas da administração pública e pagamentos sem comprovação adequada das contrapartidas contratuais. Durante o período auditado, o atual secretário de Comunicação, Marcelo Noleto, exercia o cargo de secretário de Governo, uma das funções de maior influência dentro da estrutura administrativa estadual.
Embora tenha assumido oficialmente a pasta da Comunicação apenas em março de 2025, Marcelo Noleto integrava o núcleo estratégico do governo nos anos em que os contratos foram firmados. O governo poderá apresentar defesa diante dos apontamentos feitos pelos órgãos de controle. O episódio amplia o debate sobre a transparência e o controle dos recursos públicos destinados à publicidade institucional no Estado. (Silas Freire)