Rafael Fonteles X W. Dias: Bandeira branca no discurso, mas disputa segue nos bastidores

O ministro Wellington Dias resolveu, publicamente, colocar panos quentes na insistente campanha de comunicação tocada pelo Palácio de Karnak nas últimas semanas. Há pelo menos dez dias, programas e veículos financiados pela verba oficial passaram a difundir a versão de que “estava tudo perfeitamente bem” entre o ministro e o governador Rafael Fonteles. A ordem, segundo fontes governistas, era clara: blindar a relação e silenciar qualquer ruído entre as duas principais lideranças do PT no Piauí.

Ungido e habilidoso como sempre, Wellington deu a resposta que o Karnak esperava: acenou bandeira branca, disse que não há tensão alguma e que a relação é “favorável e sem ruídos”. A mensagem pública foi entregue. Mas o gesto, ao contrário do discurso, não encerrou a disputa. Nos bastidores, segue firme a novela sobre a escolha do vice de Rafael na reeleição. O núcleo do governo defende que o nome venha da “base raiz” do PT, enquanto Wellington insiste em manter o posto sob influência de seu grupo político, sugerindo nomes com sutileza e sem confronto direto.

Veterano e conhecedor do jogo nacional, Wellington não se deixa encantar nem mesmo pelo aceno do ex-presidiário José Dirceu, que tem propagado a ideia de que Rafael Fonteles pode ser presidenciável no futuro cenário petista. O ministro não embarca. Sabe que Lula não cultiva novas lideranças com facilidade e que, na política, os holofotes só mudam de lugar quando convém. Assim, enquanto o discurso oficial exibe harmonia, Wellington segue cuidando do que realmente importa para ele: poder, influência e sobrevivência política. Paz no microfone, disputa no camarim. (Silas Freire)

 

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.