Recebendo salários de fome, professores abandonam o Ensino Médio no Piauí

Por:José Olimpio(*)
O secretário de Educação do Estado, economista Átila Lira, finalmente
reconheceu que os professores da rede estadual de ensino percebem
salários irrisórios.
Hoje, em matéria veiculada em um jornal de Teresina, o secretário
admitiu que professores com especialização, mestrado e doutorado estão
deixando as salas de aula do estado para ministrar aulas no ensino
superior.
E não poderia ser diferente, afinal os professores de faculdades
privadas ganham bem mais que o salário de fome pagos aos seus colegas da
rede pública de ensino.
Átila Lira reconhece, embora um pouco tarde, que é necessário
melhorar o salário dos professores para que se possa melhorar o ensino
público.
Mas não se viu de sua parte ações concretas no sentido de atender as reivindicações do magistério piauiense.
Pelo contrário, o governo a que ele serve foi um dos que foram à Justiça questionar o Piso Nacional de Salário do Magistério.
De qualquer forma, mesmo em fim de governo, temos que reconhecer que o
novo posicionamento do secretário em relação aos problemas do ensino
público estadual é um avanço.
Que ele, reeleito deputado federal, some ao lado dos que defendem a
valorização do magistério e da educação pública gratuita e de qualidade.
Com professores mal pagos e desestimulados, escolas sucateadas e uma
gestão incompetente falar em educação de alto nível não faz o menor
sentido.
Ao longo dos anos, governantes descompromissados com a educação
pública difundiram a ideia cretina de que o magistério é um sacerdócio.
Tentam incutir no imaginário popular que o bom professor é aquele que
procura dar o máximo de si pela a educação, sem esperar retorno
financeiro.
Como se o professor não tivesse as mesmas necessidades que outros
 trabalhadores. Não tivesse família para sustentar, não precisasse de
recursos para se reciclar e para o lazer.
O desrespeito à categoria é um fato revoltante e acontece em todos os níveis, como se o educador fosse um pária da sociedade.
União, estados e municípios sempre trataram mal os seus professores e nunca priorizaram a educação.
O Piso Nacional de Salário do Magistério, instituído pelo Governo
Lula, ainda longe do ideal, foi questionado na Justiça por governadores
que alegam não poder pagá-los.
E o mesmo governo que o instituiu capitulou diante da pressão de
governadores e prefeitos e mudou o critério de correção do piso, o que
frustrou o magistério que lutava pelo cumprimento da proposta original.
(*)José Olímpio é professor e 
Presidente do Sindicato dos jornalistas do Piauí

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