Senadores do PT e do MDB usaram dinheiro público para bancar vinhos, drinks e cerveja

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades econômicas e cortes em serviços públicos, senadores da República seguem desfrutando de regalias bancadas com dinheiro do contribuinte. Um levantamento exclusivo do portal Metrópoles revelou que ao menos dois parlamentares usaram a verba indenizatória do Senado, conhecida como cota parlamentar, para reembolsar gastos com bebidas alcoólicas, como vinhos, cervejas e drinks sofisticados — um uso no mínimo questionável de recursos públicos.

Os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Giordano (MDB-SP) aparecem nas notas fiscais obtidas pelo portal, com reembolsos de refeições regadas a álcool — algumas delas realizadas fora do horário de expediente parlamentar, em fins de semana e em restaurantes de alto padrão.

Vinho com dinheiro público

Humberto Costa, atual presidente nacional do PT, utilizou a cota parlamentar para pagar vinhos em restaurantes do Recife e de Brasília. Em janeiro de 2024, por exemplo, almoçou em um bistrô à beira-mar, na praia de Boa Viagem, onde gastou R$ 50 em um vinho da marca Bois Mirail — totalmente reembolsado pelo Senado.

O mesmo vinho foi consumido em novembro, em nova nota reembolsada, além de outras três ocasiões em que o senador teve cervejas e chopes pagos com dinheiro público. Em março, durante um jantar na Asa Sul, em Brasília, o Senado chegou a pagar por um drink descrito como “GT Britânica”, bebida à base de gin e frutas vermelhas.

Drinks em pleno sábado à tarde

O senador Giordano, do MDB de São Paulo, também teve despesas com bebidas alcoólicas ressarcidas. Em abril de 2025, almoçou em um restaurante italiano em São Paulo e, embora o Senado não tenha coberto a gorjeta, pagou por um drink chamado Fragole Lambrusco, mistura de vinho frisante e morango fresco

Em fevereiro, num sábado à tarde, Giordano gastou R$ 43 com um Aperol Spritz, em um dos restaurantes mais badalados de Brasília. Desse total, R$ 253 foram reembolsados pela cota parlamentar, valor que inclui o drink alcoólico.

A legalidade e a moralidade em xeque

Apesar de não haver, atualmente, uma regra explícita que proíba o consumo de bebidas alcoólicas durante refeições ressarcidas pelo Senado, a prática fere princípios de moralidade administrativa e uso responsável dos recursos públicos. A cota parlamentar foi criada para custear despesas relacionadas ao exercício da atividade legislativa, como combustível, passagens, aluguel de veículos e alimentação — não para bancar vinhos e drinks em restaurantes sofisticados.

O caso reacende o debate sobre a fiscalização e os limites do uso da verba pública por parlamentares, principalmente em um país onde milhões vivem com menos do que o valor gasto em uma taça de vinho reembolsada.

Procurados, os senadores ainda não se manifestaram publicamente sobre os reembolsos com bebidas alcoólicas. Já o Senado Federal, em situações semelhantes no passado, alegou que o controle dos gastos é feito com base nos comprovantes apresentados e que cabe aos gabinetes justificar as despesas.

Fonte: site Metrópoles

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