Tentativa de feminicídio sem resposta expõe seletividade da ação policial no Piauí

Uma mulher foi brutalmente espancada em uma tentativa de homicídio pelo ex-companheiro no município de Francisco Ayres, no Piauí, mas o caso expôs graves falhas na atuação policial e no encaminhamento judicial. Apesar das evidências claras  incluindo registros em vídeo e lesões visíveis no corpo da vítima  o agressor não foi preso em flagrante, tampouco houve a formulação de um pedido de prisão preventiva tecnicamente adequado, o que resultou na negativa da Justiça.

O episódio levanta questionamentos sobre o comprometimento das autoridades diante de crimes graves contra mulheres em municípios onde não há grande repercussão midiática. A ausência de uma resposta rápida e eficaz contrasta com outros casos recentes no estado, como o ocorrido em Parnaíba, em que uma médica foi espancada pelo marido durante uma festa. Naquela ocasião, a ação policial foi imediata, houve ampla cobertura da imprensa e os procedimentos legais foram conduzidos com celeridade. A comparação evidencia uma atuação seletiva, marcada pela visibilidade do caso e pela pressão da mídia. Onde há holofotes, a polícia investiga, age e fundamenta pedidos de prisão com rigor. Onde não há repercussão, como em Francisco Ayres, prevalece a omissão e a negligência institucional.

O caso reforça denúncias recorrentes de que a proteção às mulheres vítimas de violência no Piauí ainda depende do status social, do local do crime e da atenção da imprensa, em afronta ao princípio da igualdade e à obrigação do Estado de garantir segurança e justiça a todas. Crimes dessa natureza exigem resposta imediata, técnica e imparcial, sob pena de se perpetuar a impunidade e o risco à vida de outras mulheres. (Silas Freire)

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