A chegada do governador Rafael Fonteles à Assembleia Legislativa do Piauí, para a leitura da mensagem anual, foi marcada por um protesto duro de urbanitários remanescentes da AGESPISA. Em carro de som, servidores que não aderiram ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) hostilizaram o chefe do Executivo estadual, chamando-o de “Rafael Turista” e “Rafael Veaco”, além de entoarem gritos como “nos paga” e “paga o que nos deve”.

O grupo é formado por mais de 200 servidores da antiga AGESPISA que não pediram o PDV e que afirmam possuir decisão judicial favorável ao pagamento de salários e direitos trabalhistas. O protesto ocorreu justamente no momento de maior visibilidade política do governador, na abertura dos trabalhos legislativos, ampliando o desgaste público. Ao deixar a Assembleia e ser questionado pela imprensa sobre a manifestação, Rafael Fonteles afirmou que durante todo o mês de fevereiro o Governo do Estado fará o pagamento das rescisões da AGESPISA. Segundo ele, “não ficará um real atrasado”. O governador declarou ainda que há decisão do Tribunal Regional do Trabalho que ampara o pagamento das rescisões, mas impede a incorporação desses trabalhadores ao quadro do Estado.
Na prática, a fala do chefe do Executivo confirma um cenário considerado desfavorável para os servidores que não aderiram ao PDV e ainda aguardavam uma reversão jurídica. O episódio expõe um conflito ainda não pacificado no processo de encerramento da AGESPISA e transforma a abertura do ano legislativo em palco de tensão política, com servidores que se sentem prejudicados e prometem manter a pressão sobre o governo.(Silas Freire/Encarando)