Por:Zózimo Tavares
A rebeldia do PMDB contra o PT, fato consumado já em vários Estados, começa a afetar também o governador Zé Filho. Ontem, ele manifestou publicamente sua insatisfação tanto com o governo federal quanto com o ex-presidente Lula. E foi mais longe: sinalizou que pode rever sua decisão de apoiar a reeleição da presidente Dilma e mudar para o palanque do tucano Aécio Neves.
O governador reclamou do tratamento que vem recebendo da presidente da República. Ele lembrou que há algumas semanas encaminhou ao Planalto e a presidente a situação da energia elétrica do Estado. O assunto foi tratado inclusive na última visita da presidente ao Piauí, há um mês. “Até agora não tivemos nem solução nem resposta”, queixou-se.
Zé Filho reclamou da indiferença do governo federal em relação ao Piauí. Na semana passada, por exemplo, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo , veio a Teresina e sequer deu satisfação ao governador. O ministro veio acompanhado dos senadores Wellington Dias e Ciro Nogueira. Zé Filho só soube da visita dele pela mídia.
Por último, o governador criticou a visita do ex-presidente Lula a Teresina, na sexta-feira, para fazer o lançamento da candidatura do ex-prefeito Elmano Férrer ao Senado, ao lado do senador Wellington Dias, seu principal concorrente na disputa pelo governo. “O Lula, como todos sabem, é o coordenador geral da campanha da presidente Dilma. Ele veio prestigiar o lançamento da pré-candidatura de um outro candidato e também não respeitou a candidatura do candidato da base aliada ao PT.”
O PMDB já declarou que não apoia a reeleição da presidente Dilma em pelo menos quatro Estados.No Rio, o senador Lindbergh Farias (PT) atravessou no caminho do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) na disputa pelo governo. Com isso, o governador já declarou voto em Aécio. Em São Paulo, onde o ex-ministro Alexandre Padilha (PT) não decola, o PMDB vai de candidato próprio ao governo com o empresário Paulo Skaf, que ganha musculatura. Em Minas, mesmo com a aliança entre PT e PMDB, um grupo peemedebista trabalha para Aécio Neves, e, na Bahia, o partido é oposição ao PT.
No Piauí, Zé Filho tem um argumento a mais para não subir ao palanque da presidente Dilma: a sinalização dele que pode votar em Aécio é o pretexto que estava faltando para os tucanos justificarem uma eventual aliança com o governador para as próximas eleições.
