Há cenas que, na política, dizem mais do que discursos. A agenda oficial do Ministério do Desenvolvimento Social ganhou um segundo plano silencioso, simbólico e, sobretudo, revelador.
A agenda com o filho de Wellington Dias e a política dos gestos – Foto: ReproduçãoO médico Vinicius Dias acompanhava o pai, o ministro Wellington Dias, em mais uma dessas rotinas institucionais que costumam passar quase despercebidas. Mas o detalhe que chamou atenção não veio das falas, nem dos anúncios: veio das mãos dadas. No registro fotográfico, Vinicius aparece ligado, gesto a gesto, a três parlamentares do PT, o deputado federal Francisco Costa e os estaduais Fábio Xavier e Vinícius Nascimento, líder do governo na Assembleia.
Na política contemporânea, onde a imagem vale mais que a ata, o gesto virou código. Mãos dadas já não são afeto; são anúncio. Não se trata de carinho, mas de alinhamento. Não é proximidade pessoal, é inscrição no mapa do poder.
O entorno da cena reforçou a leitura. Estavam lá o pré-candidato a deputado estadual pelo PT, Mauro Eduardo, e Lailson Guedes, superintendente do Incra no Piauí e genro do ex-deputado federal Assis Carvalho; nomes que não orbitam por acaso. São peças de um mesmo tabuleiro, posicionadas com cuidado.
Nada foi dito oficialmente. E justamente por isso tudo foi dito. A política mais eficiente, hoje, não é a que proclama é a que sugere. (Por:Alessandra Fonseca/Lupa1)