A nomeação de Washington Bandeira para o cargo de assessor especial do governador é, formalmente, legal. O cargo existe, é comissionado e segue a liturgia administrativa. Mas a política e a moral pública não se resolvem apenas no papel. Na prática, Bandeira atua muito menos como assessor de governo e muito mais como operador político. O que se vê é articulação, circulação de bastidores e movimentação típica de pré-campanha, tudo sob o guarda-chuva de um cargo pago pelo contribuinte.

O discurso oficial fala em planejamento e estratégia administrativa. A realidade aponta para politicagem antecipada, com foco claro no tabuleiro de 2026. Bandeira parece mais preocupado em marcar posição e fortalecer projetos políticos do que em entregar resultados concretos de gestão. Não há, até aqui, ilegalidade comprovada. Mas a moralidade administrativa, princípio constitucional, fica seriamente arranhada quando um assessor especial transforma função pública em plataforma política permanente. Legal no Diário Oficial. Imoral no exercício. (Silas Freire)