A banalização do nepotismo no Brasil depõe contra a política

Partidos de esquerda, de centro e de direita faziam côro contra o nepotismo na década de 80.  No Piauí reinava o PFL contra o qual bradava-se gritos de repúdio sempre que um nome parecido com o do governante de plantão aparecia com um cargo de confiança em alguma repartição. Adesivos pedindo “ética na politica” eram estampados nos vidros traseiros dos carros que entravam e saiam na área do campus da Universidade Federal.

Nepotismo no Brasil - Foto: ReproduçãoNepotismo no Brasil – Foto: Reprodução

Outra palavra de ordem lida com frequência nos mesmos adesivos  e nos discursos de manifestações de rua era “não ao clientelismo”. A esquerda combatia essas práticas com mais vigor e a direita procurava evitá-las para não dar motivos para ataques.

O tempo muda as coisas

Com o passar dos anos e a chegada de alguns grupos ditos Progressistas  ao poder os discursos foram amenizando e as palavras de ordens tão vigorosas  anteriormente deram lugar a uns poucos ruídos produzidos pelo PSTU mostrando coerência apesar de ser visto como pequeno agrupamento.

Agora é a nossa vez

Infelizmente muitos dos que combatiam o nepotismo no início da trajetória se encantaram com as facilidades abertas com a nova situação de poderosos e concluíram que “agora é a nossa vez”, que nepotismo que nada.

Esquecendo o ditado

O velho ditado que recomenda “não vá com muita sede ao pode que você pode se afogar”, foi completamente debochado pelos novos poderosos, que, numa linha exagerada, passaram a praticar o nepotismo sem dó e sem piedade.

Primeiro os nossos

Criou-se uma nova consciência de que a prática do nepotismo não era condenada pela população, que até fazia referências negativas a poderosos que “não ajudam nem os seus”.

O vale tudo cresceu..

Assim, com esse aparente respaldo da opinião pública, o vale tudo do nepotismo singrou os cargos públicos com primos, irmãos, genros, filhos  e até avós.

E os brados se foram..

E os brados contra o nepotismo e pela ética na política? Ah, esses se foram, e pelo andar da carruagem nunca mais serão ouvidos. (Por:Feitosa Costa)

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