Por:Zózimo Tavares
Todo ano é a mesma coisa. Uma tropa de prefeitos vai a Brasília para a “Marcha dos Prefeitos”, em sua 17ª edição (portanto, o governo não pode reclamar de que se trata de um movimento contra a presidente Dilma Rousseff). Este ano, contudo, o clima é de hostilidade – mais do que nos anos anteriores.
Por quê? Primeiro, porque aumentou a insatisfação dos prefeitos com a falta de recursos. O governo federal tem transferido muitos encargos para os municípios, sem a transferência de verbas para o custeio das novas responsabilidades. Os municípios acabam sacrificando ainda mais os seus já minguados recursos.
Os prefeitos dizem que não dá para confiar nas promessas da presidente Dilma Rousseff. Em várias oportunidades, ela prometeu socorrer os municípios. Então, eles querem aumentar em 2% os recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que representa fatia significativa do orçamento da maioria das prefeituras.
Há insatisfação ainda dos prefeitos com os cortes em emendas parlamentares – importante fonte de recurso que é enviado por deputados e senadores aos municípios. Com essas emendas, os prefeitos podem tocar obras de interesse da comunidade que não poderiam fazer com recursos próprios.
Pesa ainda contra a presidente Dilma sua queda nas pesquisas de intenção de votos. Os prefeitos alegam que trabalham diretamente junto ao eleitorado. Por causa dessa proximidade, são eles que pedem voto. Com sua popularidade se “esfarelando”, segundo deputados da base, Dilma precisa – e muito – do apoio dos prefeitos dos partidos aliados.
Ciente dessa dificuldade, Dilma foi convidada para a solenidade de abertura da “Marcha dos Prefeitos”, realizada ontem no Centro Internacional de Convenções de Brasília, onde estavam presentes 4 mil prefeitos. Do Piauí foram mais de 100. Ela não compareceu, e muito menos o ministro Ricardo Berzoni, que a representaria no evento.
Quem recebeu as vaias dirigidas a presidente no último encontro com os prefeitos do Brasil foi o subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais, Gilmar Dominici, muito vaiado. A edição da marcha, este ano, vai até amanhã. (Com informações do Blog do Noblat)
