ENTRE A AUTOPROMOÇÃO E A PERDA DE RECURSOS: OS SINAIS PREOCUPANTES DA GESTÃO DE PARNAÍBA

A atual administração de Parnaíba viveu uma semana daquelas que nenhum gestor gostaria de enfrentar. Em poucos dias, dois episódios distintos acabaram se encontrando no mesmo debate público: a condenação do prefeito Francisco Emanuel pelo Tribunal de Contas do Estado por autopromoção em publicidade institucional e a cobrança do Ministério Público em razão da perda do acesso do município à complementação VAAR do Fundeb. Separadamente, cada fato já seria motivo de preocupação. Juntos, formam um retrato incômodo das prioridades da gestão municipal.

De um lado, o TCE concluiu que houve violação ao princípio da impessoalidade ao associar a imagem do prefeito a ações da Prefeitura. A decisão não apenas aplicou multa, mas determinou que a administração deixe de vincular a figura do gestor às realizações do município. De outro, Parnaíba perdeu a oportunidade de receber recursos federais voltados à melhoria da educação por não atender aos requisitos exigidos para a complementação VAAR. O resultado foi a inclusão do município entre aqueles que agora precisam prestar esclarecimentos aos órgãos de fiscalização. A combinação dos dois fatos produz uma pergunta inevitável: como uma gestão consegue dedicar tanta atenção à construção da própria imagem e, ao mesmo tempo, deixar escapar recursos importantes para a educação pública?
O problema não está na divulgação das ações administrativas. Toda gestão tem o dever de informar a população. O que chama atenção é quando a publicidade se torna protagonista e os resultados concretos ficam em segundo plano. Enquanto a administração se vê envolvida em discussões sobre marketing institucional e promoção pessoal, estudantes, professores e famílias aguardam investimentos que poderiam fortalecer a rede municipal de ensino.

Prefeito Francisco Emanuel e seu “padroeiro” Ciro Nogueira
Enquanto as redes sociais exibem uma cidade de resultados, os órgãos de controle apontam falhas que produzem consequências reais para a população. O episódio revela mais do que um simples erro administrativo. Revela uma inversão de prioridades que merece reflexão. Afinal, a principal missão de um governo não é construir narrativas, mas entregar resultados. Quando a propaganda vira problema e a educação perde recursos, o que está em jogo não é apenas a imagem da gestão. É a credibilidade da administração perante a população e a capacidade do município de responder aos desafios que realmente importam. (Silas Freire/Encarando)
Edição:B. Silva