A chamada “taxa do poço” começa a aparecer na conta de moradores do interior do Piauí, apesar de o governador Rafael Fonteles ter afirmado que esse tipo de cobrança não existiria em seu governo. Em Capitão de Campos, no Norte do Estado, um morador de uma comunidade da zona rural recebeu uma fatura da Águas do Piauí no valor de R$ 33,99, com referência de atualização em 30 de julho de 2026 e vencimento em 11 de agosto de 2026. O documento apresentado à coluna identifica, no alto da fatura, a cobrança relacionada ao poço tubular instalado na propriedade.

O morador afirma que não existe serviço de esgotamento sanitário disponível na comunidade e que a cobrança não decorre de adesão a esse serviço. Segundo ele, o valor cobrado corresponde ao consumo mínimo relacionado ao poço tubular. Há ainda uma particularidade no caso. O proprietário afirma que a equipe da Águas do Piauí não conseguiu aferir o hidrômetro instalado no poço pelo Governo do Estado. Mesmo assim, a cobrança mínima, de R$ 33,99, já apareceu na conta. O episódio levanta uma pergunta inevitável: se o governador afirmou que não haveria “taxa do poço”, como explicar uma fatura da concessionária cobrando R$ 33,99 vinculados ao poço tubular?
A cobrança também chama atenção porque a Águas do Piauí é responsável pela emissão da fatura e, sobre os valores cobrados pelos serviços sujeitos à tributação, há a incidência dos tributos correspondentes, inclusive o ICMS, conforme a natureza da cobrança. O caso de Capitão de Campos pode ser apenas o primeiro de uma série. A conta chegou agora resta saber se o Governo do Estado vai explicar o que exatamente está sendo cobrado dos piauienses pelos poços que, segundo o discurso oficial, não teriam taxa.(Silas Freire)