A vaga de vice na chapa de Joel Rodrigues (PP) segue como um dos pontos mais observados da sucessão estadual. E talvez justamente porque, até aqui, ela pareça carregar mais estratégia do que pressa.
De um lado, o nome de Jeová Alencar continua naturalmente associado à composição. Vice-prefeito de Teresina, articulador da oposição na capital e coordenador da pré-campanha de Joel em Teresina, Jeová reúne atributos políticos que ajudam a explicar por que permanece no centro das especulações. O próprio Joel tem reconhecido publicamente sua força política e o peso de Teresina na eleição estadual, ainda que evite tratar a escolha como definida.

Mas existe outra leitura circulando nos bastidores (e talvez ela ajude a compreender a demora na definição). Tal leitura acredita que a oposição parece evitar fechar completamente a vaga porque o cargo pode funcionar também como instrumento de ampliação política. Em vez de uma escolha antecipada, a vice permaneceria como espaço de acomodação para um eventual movimento vindo da base governista, sobretudo se surgirem rupturas, insatisfações ou rearranjos partidários ao longo do calendário eleitoral.
Não seria novidade na política. Afina, em chapas majoritárias, o vice muitas vezes cumpre papel que vai além da complementaridade eleitoral imediata; torna-se convite político, sinalização de diálogo e mecanismo de atração para grupos ainda em trânsito ou desconfortáveis em suas alianças atuais.
Nesse cenário, Jeová segue como nome forte, especialmente pela densidade que agrega em Teresina. Mas a permanência da vaga em aberto pode indicar que a oposição trabalha simultaneamente com outra hipótese: a de manter uma porta destrancada para quem, mais adiante, decida atravessá-la.
Assim, a indefinição talvez não revele fragilidade nem impasse. Pode ser, ao contrário, parte da própria estratégia.(Beatriz Ribas)
Fonte: Portal A10+