Alerta no marketing: exaltar Lula pode abrir flanco para a oposição questionar o prestígio de Rafael em Brasília

O marketing do governador Rafael Fonteles começa a avaliar com cautela a exploração excessiva do apoio do presidente Lula durante a campanha. A preocupação é que aquilo que deveria representar um ativo eleitoral acabe oferecendo munição para a oposição. O contra-ataque seria simples: se Rafael tem tanta proximidade com Lula, quais foram as grandes obras federais conquistadas pelo governador para o Piauí durante seu mandato? Nos bastidores, críticos sustentam que faltou ao governo Rafael uma obra federal de grande impacto, concebida e iniciada durante sua gestão, capaz de simbolizar seu prestígio junto ao Palácio do Planalto. Intervenções importantes anunciadas ou executadas no período, como as relacionadas à BR-343 e à Avenida João XXIII, carregam projetos e discussões originados anteriormente. A oposição pode, portanto, tentar inverter o discurso: “Rafael fala muito em Lula, mas qual foi o tamanho do prestígio de Rafael dentro do governo Lula?”

Outro argumento que pode entrar no debate é a quantidade de viagens internacionais realizadas pelo governador, contraposta à cobrança por resultados concretos de sua articulação política em Brasília. Há ainda quem relacione esse cenário às divergências políticas entre Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias dentro do próprio grupo governista. É uma interpretação de bastidor, sem confirmação de que eventuais disputas tenham interferido na relação institucional com o governo federal.

Enquanto isso, adversários devem explorar também os empréstimos contratados pelo Estado durante a gestão Rafael, tentando construir a narrativa de que, sem grandes entregas federais para apresentar, o governo precisou recorrer ao endividamento para financiar investimentos. Por isso, a presença de Lula continua sendo eleitoralmente importante no Piauí, mas a recomendação dentro do marketing pode ser uma só: explorar o apoio presidencial sem exagerar na dose, porque a oposição pode transformar Lula numa pergunta incômoda para Rafael  “se tinha tanto prestígio, cadê as grandes obras que conseguiu?” (Silas Freire)

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