Por:ZózimoTavares
Dados disponibilizados até ontem no site do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (www.tre-pi.jus.br) apontam que os candidatos a governador, senador e a deputado federal no Estado prevêem gastar mais de 300 milhões na campanha deste ano no Estado – são cerca de R$ 240 milhões na previsão dos candidatos à Câmara Federal, R$ 48 milhões na dos postulantes ao governo e mais de R$ 23 milhões na documentação dos candidatos ao Senado.
É, sem sombra de dúvida, muito dinheiro! Pode-se argumentar que se trata apenas de uma previsão, sem significado real de que todo esse dinheiro possa efetivamente ser aplicado no pleito. Alguns fatos podem até reforçar essa tese – o candidato do minúsculo PPL (Partido da Pátria Livre), por exemplo, informou ao TRE previsão de gastos de até R$ 20 milhões na campanha. É o mesmo valor informado pelo governador Zé Filho, candidato à reeleição.
A título de comparação, Neto Sambaíba, do PPL, informou ao TRE um patrimônio de R$ 60 mil; Zé Filho, o candidato a governador mais rico, declarou bens avaliados em R$ 1,948 milhão. Comparações à parte, é ingenuidade pensar que os candidatos que têm chances reais de ganhar a eleição possam economizar nos gastos de campanha. A pergunta é: de onde vem tanto dinheiro?
O candidato a governador pelo PSTU, Daniel Solon, diz em matéria publicada na página 3 desta edição que “os gastos eleitorais previstos pelos candidatos ao governo e ao Senado (…) dariam para construir aproximadamente 2 mil casas populares”. Ele, que pretende gastar R$ 100 mil na campanha, lembra que dados do TSE apontam que as empreiteiras e os bancos são os maiores financiadores de partidos como PSDB, PMDB, PT, PSB e DEM. “O resultado disso, na prática, é que quem paga a banda escolhe a música”.
Daniel Solon repete o alerta dado pelo juiz Marlon Reis, um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa, que veda a candidatura de gestores condenados por corrupção e outros malfeitos. Há 15 dias, em palestra em Teresina, Marlon Reis disse que eleição é investimento – quem financia as campanhas eleitorais volta depois da eleição para cobrar a fatura. E é aí que se estabelece o círculo vicioso da corrupção na gestão pública.
