
A rotina de quem depende do transporte coletivo por vans em Parnaíba foi impactada na manhã desta terça-feira (10). No estacionamento dos veículos, o cenário era de paralisação total entre 8h30 e 11h30. A interrupção, segundo a Coopertranp, uma das responsáveis pelo serviço na cidade, foi uma “parada técnica” para alinhar reivindicações junto aos colaboradores e discutir demandas encaminhadas ao poder público municipal que, até o momento, não teriam recebido resposta.
O presidente da cooperativa, Thomaz Alves, explicou que a decisão foi tomada diante da falta de condições de trabalho enfrentadas atualmente. “Hoje a gente fez uma parada técnica para que a gente possa alinhar algumas reivindicações juntamente com os colaboradores do transporte público de Parnaíba. A gente não pode, de maneira alguma, querer fazer alguma coisa sem eles”, afirmou. Ele ressaltou que, em 28 anos de atuação da Coopertranp no município, esta foi a primeira paralisação do tipo. “A gente em 28 anos nunca tínhamos feito nenhum tipo de paralisação. E é bom que se diga que a gente de maneira alguma quis fazer isso para fazer algum tipo de baderna”, pontuou.
Entre os principais pontos apresentados ao município está uma planilha de custos que, segundo Thomaz, demonstra a inviabilidade financeira da continuidade do serviço nos moldes atuais. “A nossa intenção é que a gente pudesse melhorar o transporte na situação que está. Mas, por falta de condições financeiras, a gente não tem condições de melhorar hoje. Diante disso, a gente apresentou uma planilha ao poder público e estamos aguardando uma resposta”, explicou. De acordo com ele, um dos pedidos é que a Prefeitura passe a custear as gratuidades transportadas pela cooperativa. “Se pelo menos o poder público pagasse a gratuidade que hoje a gente carrega, a gente já iria melhorar o transporte nos finais de semana, que hoje não tem mais, e ofertar transporte à noite também, que não tem mais”, disse.
Thomaz Alves alertou ainda que, caso não haja avanço nas tratativas, novas paralisações podem ocorrer. “Da forma que está, não temos condições de continuar. O risco de uma paralisação maior é bem possível por falta de condições financeiras mesmo, porque hoje é inviável a gente continuar”, declarou.
A situação evidencia um problema que afeta diretamente a população que depende do transporte coletivo para trabalhar, estudar e cumprir compromissos diários. Atualmente, o serviço não opera no período noturno e é bastante reduzido aos fins de semana, o que tem levado muitos usuários a recorrerem ao transporte por aplicativo, alternativa que nem todos conseguem custear. A expectativa agora é pelos desdobramentos das conversas entre a cooperativa e a gestão municipal para evitar novos prejuízos à mobilidade urbana da cidade. (Lucas Zadoque)