Ciro Nogueira separa voto pessoal da estratégia do Progressista e irrita governistas

A declaração do senador Ciro Nogueira durante a convenção do PL, em Teresina, ganhou repercussão nacional, mas também acabou sendo alvo de interpretações políticas. Ao ser provocado por uma apoiadora que gritou o nome de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, Ciro respondeu de forma direta: “Não tenha dúvida. Meu voto será dele.” A fala foi rapidamente explorada por setores ligados ao governo Rafael Fonteles, que passaram a difundir a declaração nacionalmente na tentativa de criar um desgaste para o Progressistas, partido que, em alguns estados, mantém alianças locais com o PT dentro da estratégia da federação União Progressista.

O que Ciro deixou claro, entretanto, foi a diferença entre sua posição pessoal e sua responsabilidade institucional. Como eleitor, afirmou que seu voto será em Flávio Bolsonaro. Como dirigente partidário, manteve a linha de neutralidade adotada pela federação para as eleições presidenciais, uma estratégia voltada à ampliação da bancada no Congresso Nacional. A lógica é conhecida no meio político.

Ao não atrelar toda a federação a um único palanque presidencial, a União Progressista preserva alianças regionais, fortalece sua presença na Câmara e no Senado, amplia o acesso ao fundo partidário e eleitoral e ganha mais tempo de propaganda, aumentando seu peso nas negociações políticas em Brasília. Ou seja, a declaração de Ciro tratou de uma escolha pessoal nas urnas, e não de uma mudança na estratégia nacional da federação. Confundir uma coisa com a outra interessa ao embate político, mas não altera a posição oficial adotada pelo partido.(Silas Freire)

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