Os ventos políticos deste 7 de Setembro sopraram favoravelmente para Flávio Bolsonaro. A crise instalada no STF, os desdobramentos do caso Banco Master e o empate com Lula nas pesquisas formam um conjunto de acontecimentos que dá novo combustível à candidatura do senador do PL. Flávio aproveitou o 7 de Setembro para ocupar a Avenida Paulista e transformar a crise envolvendo o Supremo em uma das principais bandeiras de sua campanha. O ato reuniu 28,5 mil pessoas, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, e teve como um dos principais alvos o ministro Alexandre de Moraes.

Enquanto isso, Brasília viveu o tradicional desfile oficial da Independência, com Lula ao lado das principais autoridades dos Poderes. O contraste político foi explorado imediatamente pelos adversários: Flávio nas ruas e Lula no ambiente institucional de Brasília, justamente no momento em que o Supremo atravessa uma forte crise interna. E o cenário das pesquisas aumenta a preocupação no campo governista. A Quaest divulgada nesta segunda-feira mostrou empate de 41% a 41% entre Lula e Flávio Bolsonaro numa eventual disputa de segundo turno. Na rodada anterior, Lula ainda aparecia numericamente à frente, por 42% a 41%. A crise do Banco Master também entrou definitivamente na campanha. Os desdobramentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça provocaram uma crise interna no STF, a ponto de o presidente da Corte, Edson Fachin, cobrar explicações dos dois ministros.
Flávio percebeu rapidamente o potencial eleitoral do episódio e passou a tentar associar politicamente Lula a Moraes. Isso não significa que a eleição esteja definida muito pelo contrário. Mas a fotografia política deste 7 de Setembro é claramente melhor para Flávio Bolsonaro do que era há algumas semanas. O candidato encostou em Lula, ganhou uma pauta capaz de mobilizar sua base e tenta transformar a crise do STF em combustível eleitoral. Se esse vento continuar soprando nas próximas pesquisas, o que hoje é empate poderá virar uma ameaça ainda maior ao projeto de reeleição de Lula. (Silas Freire)