O debate entre candidatos ao Governo do Piauí, realizado pela TV Band na noite de domingo (09/08), contou com Gisvaldo Oliveira (PSol), Gustavo Henrique (Avante), Joel Rodrigues (PP), Dra. Lúcia Santos (PSDB), Rafael Fonteles (PT). Mesmo com quatro candidatos supostamente oposicionistas, o maior alvo foi Joel.
Durante a programação, um destaque foi a tucana Lúcia Santos, que falou sobre redução do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), ponto que estaria travando o avanço do empreendedorismo no Piauí. A Saúde, disse a presidente do Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí (SIMEPI), foi deteriorada pelo Governo atua

“O agronegócio depende que o ICMS seja reduzido e não vai avançar se nós tivermos a 2ª maior carga tributária mais alta do Brasil, sendo que somos um dos estados mais pobres da Federação. O governador falou que é prioridade Saúde e Segurança e vai focar no microempreendedor. Como? Se o ICMS é um dos mais caros? Como a Saúde é um dos pontos principais para eles e estamos vendo a Saúde Pública deteriorada pelo governador?”, disparou.
Além das críticas à gestão de Rafael Fonteles, Lúcia ainda criticou também a postura de Gustavo Henrique no debate, o qual, de acordo com a médica, estaria ajudando Rafael Fonteles.
“Fico muito triste de participar de um debate onde a gente poderia estar sendo sinceros, olhando olho no olho e a gente vê um candidato passando pano para o outro e defendendo ICMS, não discutindo a verdade. É triste ver o que acontece no debate, uma rachadinha, uma ajuda”, disse.
Gustavo Henrique, ao responder, apostou suas fichas na crítica ao candidato Progressista, questionando a “ética” de Joel Rodrigues, retomando o Caso Master e as supostas ligações entre Ciro Nogueira (PP) e Daniel Vorcaro. Gustavo também mostrou convergência considerável de discurso com Rafael Fonteles.
“Joel, você foi comissionado no gabinete do senador Ciro Nogueira, dentro desse comissionamento, gostaria de saber até onde vai o teu limite ético, sabendo que ele é investigado pela Polícia Federal, em relação ao Banco Master. Até onde vai a tua aliança com ele? O ICMS é pago pelo consumidor, como bem disse o candidato [Rafael Fonteles], a reforma tributária tem mudado isso ao longo dos anos”, comentou.
Joel, por sua vez, disse que não iria “perder tempo” com Gustavo, por sequer ter uma situação resolvida no próprio partido, referenciando a presidência do diretório estadual do Avante, a qual não faz mais parte, tendo perdido a queda de braço contra Antônio José Lira. O progressista também argumentou que Gustavo estaria no debate como aliado não esclarecido do governador Rafael Fonteles.
“De repente a gente vem a encontrar alguém que está a serviço e que talvez não teve coragem de debater direto, aí usa alguém para vir aqui? Não vou perder tempo com alguém que nem resolveu sua vida direito no partido. Todo mundo lembra de 2024, a pancadinha, a quem ele servia, ao partido que serviu. Estou aqui para trazer propostas, com a história de vida de quem veio de baixo e teve a oportunidade por quatro vezes. Meu negócio é trazer propostas”, respondeu.
Joel também ressaltou a geração de emprego como um dos pontos principais de sua gestão, caso vença as eleições de outubro. “Governador, não sei se você conhece a realidade das pessoas que estão sem produzir, quase 1 milhão de pessoas moram na zona rural, onde poderíamos identificar as cadeias produtivas e elas melhorarem de renda onde estão, aí o incentivo em todas as áreas, para que de fato possamos gerar emprego. É esse o Piauí que eu estou vendo, diferente do que você está falando”.
Rafael Fonteles explicou que o ICMS deve ser extinguido até 2032 e destacou a subita do Piauí no ranking da renda méda, ultrapassando estados vizinhos.
“Sobre o ICMS, é bom que todos saibam que, segundo a reforma tributária aprovada no Congresso Nacional, será extinta até 2032, considero essa uma informação muito importante… Nesse debate, procuramos apresentar o que fomos capazes de fazer e o que poderemos fazer. O Piauí já subiu alguns degraus, superamos a renda média do Ceará, da Bahia, do Maranhão, mas queremos superar a renda média do Brasil. Para isso, o micro, pequenos e médios empreendedores serão o foco principal da nossa atuação, como já tem sido nos últimos anos, mas queremos potencializar ainda mais”, defendeu.
Após ser alvo de mais críticas, agora do candidato Gisvaldo Oliveira, que descreveu o Governo Fonteles como “Governo dos grandes empreendimentos e do agronegócio” sobre a proteção das comunidades indígenas e quilombolas, Rafael afirmou: “é perfeitamente possível conciliar o agronegócio com a agricultura familiar. Nossa prioridade é a agricultura familiar, porque contempla o maior número de pessoas. Defendemos o cuidado com quem mais precisa. Estou falando da entrega de títulos de terra e títulos de imóvel, inclusive em comunidades quilombolas. Chegamos a 50 registros de comunidades quilombolas, o maior número do Brasil, assim como chegamos a 20 mil títulos para assentados da reforma agrária e agricultores familiares”.
Gisvaldo, o candidato mais à esquerda, não se convenceu com as explicações governistas e focou suas críticas na gestão atual do Karnak, afirmando que o atual Governo é responsável pela devastação ambiental do Cerrado Piauiense.
“Nós não temos regularização fundiária no seu Governo, temos um modelo econômico baseado na concentração fundiária, baseado no agronegócio. O que temos visto no cerrado piauiense, é a devastação ambiental. Tivemos uma pesquisa feita pela UFPI, que constatou a contaminação por agrotóxicos em 83 amostras de leite materno na maternidade do Hospital de Uruçuí”, apontou.
O candidato do PSol também apontou o conhecido vínculo da gestão de Fonteles no Karnak com o setor privado e criticou a política do PT na segurança estadual:
“A privatização da Agespisa é um dos temas mais importantes, um dos problemas mais graves que nosso estado enfrenta. A Agespisa, segundo um levantamento feito pelo pelos próprios servidores da empresa, tem um patrimônio avaliado em R$ 9 bilhões. No entanto, foi vendida por R$ 1 bilhão. O governo atual entregou de bandeja para o setor privado uma das empresas mais importantes, que trata da água e do saneamento básico… [Sobre a segurança] nós do Psol entendemos que só a política de prender não resolve. O Sistema Carcerário tem se tornado cada vez mais lotado e os crimes continuam existindo. O que precisamos realmente é uma política de prevenção às raízes concretas da violência, isso se faz não apenas com operações policiais. Temos observado que a política central tem sido apontar o revólver para a cabeça da juventude negra e pobre”, concluiu.(Guilheme Freire)