Decretada prisão de Morales, amigo de Lula, acusado até de terrorismo

O cocaleiro Evo Morales e Lula (PT), amigos e aliados com afinidades ideológicas – Foto: reprodução redes sociais.

O ministério público da Bolívia ordenou a prisão de Evo Morales, cocaleiro que presidente daquele país, amigo e aliado histórico do brasileiro Lula (PT). Ele foi responsabilizado na investigação sobre os protestos e bloqueios de estradas que paralisaram diferentes regiões durante cerca de 50 dias, entre maio e junho, provocando grandes prejuízos à população. Morales e Lula são expoentes da esquerda latino-americana, considerada a mais atrasada do planeta.

A ordem de apreensão foi emitida nesta quarta-feira (29) pela Fiscalia Departamental de Santa Cruz, no âmbito de investigações por crimes de terrorismo, levante armado, atentado contra a segurança dos meios de transporte e serviços públicos, instigação pública a delinquir e associação delituosa. A medida responde a uma denúncia formal apresentada conjuntamente pelo Comitê pró-Santa Cruz e pelo Ministério do Governo boliviano.

Segundo o documento oficial, assinado por um fiscal da Unidade Especializada em Perseguição de Delitos de Corrupção, a presença de Morales é considerada indispensável para o andamento das investigações sobre a autoria intelectual, a convocação e a logística das manifestações. Os bloqueios criminosos provocaram perdas milionárias, desabastecimento de alimentos e insumos básicos, além de quase total paralisação do transporte de cargas e passageiros.

Evo Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, não é o único investigado. O inquérito também envolve dirigentes sociais e sindicais, alguns já sob prisão preventiva, como Vicente Salazar, líder da Federação de Camponeses Túpac Katari. As protestos foram articulados pela Central Operária Boliviana (COB), pela Federação Túpac Katari e por facções leais ao ex-presidente, que exigiam a renúncia do atual mandatário, Rodrigo Paz.

O governo boliviano classifica as ações não como protesto social legítimo, mas como parte de um plano sistemático de desestabilização destinado a interromper o mandato de Paz. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, e o ministro do Governo, Marco Oviedo, reforçaram essa avaliação.

Morales reagiu à ordem de prisão por meio de uma mensagem na rede social X. “Não vão nos intimidar”, disse.(Diário do Poder)

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