A mais recente proposta de colaboração premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro elevou a temperatura nos bastidores de Brasília ao trazer acusações que atingem integrantes da cúpula do PT da Bahia e nomes influentes da política nacional. Segundo o relato atribuído ao banqueiro, milhões de reais teriam sido destinados a pessoas ligadas ao grupo político liderado pelo senador Jaques Wagner. Vorcaro também afirma que o ex-ministro Guido Mantega recebeu valores expressivos relacionados ao Banco Master. A defesa do empresário sustenta que documentos e provas dos supostos repasses serão apresentados às autoridades durante as negociações da colaboração premiada. O empresário declara ainda que esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reuniões nas quais teriam sido discutidos assuntos relacionados ao Banco Master. As alegações fazem parte da nova tentativa de acordo e ainda dependem de comprovação e análise pelos órgãos competentes.

A delação também volta a mencionar o senador Ciro Nogueira. Segundo a nova versão apresentada por Vorcaro, despesas anteriormente atribuídas a uma relação de amizade com o parlamentar passam a ser descritas sob outra motivação. O banqueiro afirma que os gastos teriam relação com vantagens buscadas junto ao senador, versão que difere daquela apresentada em manifestações anteriores. Em relação ao senador Flávio Bolsonaro, Vorcaro sustenta que a relação mantida entre ambos ocorreu dentro de atividades privadas e legais, sem apontar irregularidades.
A nova ofensiva do empresário chama atenção por direcionar acusações a figuras centrais do PT baiano e do entorno do governo federal. Enquanto a colaboração premiada não for homologada e os elementos apresentados submetidos à verificação independente, as declarações permanecem como alegações do delator, sujeitas à apuração das autoridades e ao contraditório dos citados. (Silas Freire/Encarando)