Enquanto o Brasil se abstém, os idosos do Piauí fazem questão de ir às urnas

A dez dias da eleição, quando a disputa sai do campo das ideias e entra na fase bruta da busca pelo voto útil e da caça aos indecisos, os comitês de campanha para o Palácio do Planalto e para o Governo do Piauí querem uma coisa apenas: a contenção de danos e a gestão da abstenção.

É nesse momento que o raio-X do eleitorado realizado pela coluna por meio dos dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deixa de ser mera estatística para se transformar em guia de sobrevivência política. E o dado mais provocativo desse levantamento está na postura da terceira idade piauiense, um contingente que insiste em contrariar a lógica do desinteresse nacional.

Enquanto o Brasil registra uma abstenção média de 21,7%, índice que dispara para assustadores 51,1% entre os brasileiros acima dos setenta anos, assim que o voto vira facultativo, o Piauí caminha no sentido oposto.

Por aqui, a abstenção geral piauiense é de apenas 14,8%, e os idosos dão um espetáculo de presença. Na faixa dos sessenta aos sessenta e nove anos, mais de noventa por cento dos piauienses fazem questão de ir às urnas, registrando uma abstenção tímida de 9,4%. Mesmo quando a lei desobriga o comparecimento, a partir dos setenta anos, o eleitor do estado resiste à tentação de ficar em casa: a ausência fica em 37,3%, muito distante da metade que simplesmente abandona as urnas no restante do país.

Esse padrão revela que o Piauí possui uma cultura cívica na qual a ida à seção eleitoral ainda é vista como um ato de afirmação e pertencimento, e não apenas como um dever burocrático.

A dez dias da votação, a disputa pela Presidência da República se divide entre atrair o eleitor de centro que ainda vacila na escolha e garantir a logística física para que esse idoso chegue com segurança à urna. Em uma eleição onde a margem entre a vitória no primeiro turno ou a esticada até o segundo se mede no detalhe, tratar pautas de acessibilidade, saúde e mobilidade como meros acessórios de discurso é dar as costas para a parcela mais fiel e decisiva do eleitorado piauiense. (Livia Pessoa)

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