Chama atenção no cenário eleitoral do Piauí a tentativa da família do ministro Wellington Dias de ampliar ainda mais sua presença na política justamente no momento em que Rejane Dias, ex-secretária de Educação e atual conselheira do TCE-PI, responde na Justiça Federal a ações relacionadas a supostas irregularidades milionárias no transporte escolar. O Ministério Público Federal levou à Justiça acusações envolvendo contratos da Educação e investigações que apontam prejuízos superiores a R$ 50 milhões em recursos destinados, entre outras finalidades, ao transporte de estudantes.

Rejane nega a prática de improbidade e sustenta que as acusações não procedem. Mesmo diante desse desgaste judicial, o casal Wellington e Rejane Dias entra na campanha de 2026 trabalhando pela eleição do filho Vinícius Dias para deputado estadual pelo PT. A candidatura de Vinícius, está deferida pela Justiça Eleitoral. A situação inevitavelmente abre espaço para um questionamento político: uma família que já ocupa posições de grande influência no poder público, e que ainda convive com graves questionamentos judiciais sobre a gestão da Educação, pretende agora ampliar sua representação na Assembleia Legislativa?
Não se trata de atribuir ao filho qualquer responsabilidade pelos processos envolvendo a mãe, mas de um debate legítimo sobre concentração de poder, renovação política e responsabilidade pública. É uma discussão que certamente deverá acompanhar a família Dias durante a campanha eleitoral. (Silas Freire/Encarando)