Por:Zózimo Tavares
No Piauí, político só sente político de verdade se fizer parte do governo, de preferência ocupando alguma secretaria. É praticamente impossível encontrar um político com mandato que resista a um convite para ser secretário. Quem criou esta cultura eu não sei, mas quem a alimenta a pão de ló e lábia é o governador Wellington Dias, desde o seu primeiro mandato no Palácio de Karnak.
Basta ver que dos 30 deputados que estão hoje na Assembleia Legislativa, dez são suplentes convocados para as cadeiras de parlamentares chamados para seu secretariado. Da Câmara dos Deputados, o governador trouxe três parlamentares para a sua equipe – 30% da bancada. Nunca antes na história do Piauí houve isso!
Tem mais. Há poucos dias, o ministro da Saúde, deputado federal Marcelo Castro, foi destaque na imprensa nacional porque deu uma canetada nos petistas que ocupavam cargos de confiança em seu ministério. O novo ministro deu as contas de todos eles e pôs assessores de sua confiança nos postos antes ocupados pelo PT.
No final de semana, Marcelo Castro veio ao Piauí e foi reconduzido em chapa de consenso para a presidência regional do PMDB. Ele aproveitou a viagem para entabular entendimentos com o governador Wellington Dias para cavar espaço para o seu partido no Governo do Estado. Diz-se que o governador está animadíssimo com a possibilidade de entregar duas secretarias aos peemedebistas.
Ainda não está claro se o governador vai criar essas secretarias ou se vai tomá-las de alguém. O que é certo é que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho, é parceiro do ministro da Saúde nessa empreitada para jogar o PMDB dentro do governo outra vez.
Faz apenas um ano que o PT e o PMDB se engalfinharam em praça pública, no Piauí, na disputa pelo Governo do Estado. Não se espera que mantenham agora o radicalismo da campanha eleitoral, mas seria interessante que se mantivessem como adversários. Assim estariam se respeitando e respeitando também seus eleitores.
Até quando o Piauí estará condenado a ver seus políticos como farinha do mesmo saco?
