Com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, o Senado aprovou o fim da escala 6×1 numa votação que beirou a unanimidade e reuniu governo e oposição. O placar fala por si: o PT não pode tomar para si uma decisão construída com apoio tão amplo, muito menos apresentá-la como troféu eleitoral. O centro dessa mudança deve ser o trabalhador, que precisa descansar, conviver com a família e ter tempo para estudar e buscar qualificação. Uma conquista dessa dimensão merece ser tratada com seriedade, sem virar propriedade de partido ou instrumento de campanha.

Agora, o país precisa administrar a transição com diálogo e maturidade. Empregadores e empregados devem ter espaço para construir soluções para suas jornadas, respeitando os direitos assegurados e as necessidades de cada atividade. Relações de trabalho maduras se fortalecem na negociação, com respeito dos dois lados. É esse caminho que interessa ao Brasil: melhores condições de vida para quem trabalha e condições para as empresas produzirem e gerarem empregos. A votação mostrou que é possível construir entendimento. Que essa disposição continue depois dos discursos e das urnas. (Silas Freire)