Frieza na Copa 2014

Por:Arimatéia Azevedo
Nas edições anteriores da copa do Mundo, realizadas em outros países, cerca de dois meses antes do início dos jogos, os brasileiros já se envolviam no clima de euforia. Por todo o País viam-se ruas, praças, prédios e shoppings com lojas customizadas a caráter, pintadas de verde e amarelo, e o assunto era a copa do mundo. Pelas ruas das grandes cidades, carros de toda categoria tremulavam bandeiras do Brasil afixadas nas portas dos veículos – trocas de amabilidades entre motoristas anônimos com piscar de faróis e buzinas – davam cores verde e amarelo ao clima de festa. Esperava-se que em 2014, com o evento sendo realizado no Brasil, teria, ainda mais cedo, a repetição amplificada do que se poderia chamar de clima da copa. A menos de 30 dias do evento, que ocorrerá em território nacional, e o que se vê é um quadro muito diferente. Os brasileiros trocaram as caras pintadas com as cores da bandeira, pelo vermelho das caras envergonhadas, pelos descalabros de corrupção, violência e falência dos serviços públicos em todo o País. Nas redes sociais, repetem-se comparações de fotos aéreas dos estádios monumentais (com orçamentos duplicados pela corrupção), e os doentes nas macas abarrotando os corredores dos hospitais. Atentai bem, diria Mão Santa, corre-se o risco de ver nessa copa do mundo no Brasil, um “acerto de contas” entre o povo brasileiro e seus governantes, com protestos mais intensos que aqueles de junho de 2013, às vésperas da copa das confederações. Sente-se a frieza da copa de 2014, no ar. E um temeroso receio de que a baderna dará o tom do descompasso do torneio.

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