O texto abaixo, escrito por André Véras (*), foi lido ontem na Câmara Municipal, por seu irmão, vereador Ricardo Véras, quando da proposta de Moção de Pesar, apresentada por Ricardo, à família de Matheus Portela, morto tragicamente no dia 24 de novembro:
“’Huuumm… só quer ser o Mateus Portela!“. Na minha adolescência e juventude essa frase era usada em Parnaíba para brincar com quem queria ser bonitão, descolado e se meter a fazer tudo.
O Mateus era isso, o cara que todos queriam imitar, fazer o que ele fazia, ser como ele era. ‘Como pode o cara ser bonito desse jeito e ainda por cima estar sempre entre os melhores em todo esporte que se mete a afazer?’. Muitos se perguntavam e eu agora acrescento: Como pode o cara ser tudo isso e ainda se manter simples, sem se deixar levar pela arrogância que a vaidade traz? Suas companhias eram desde o cara mais rico da cidade ao nativo mais simples da Pedra do Sal, sem distinção de tratamento.
A família, os amigos, a natureza e o trabalho eram suas prioridades. Não posso dizer que éramos amigos íntimos, mas tive a sorte de conviver com ele em muitas oportunidades, como nas idas à ilha dos Poltros pra pegar aquelas ondas gigantes, onde, depois de um dia inteiro de surf, ele liderava a turma pra buscar a lenha da fogueira que iria assar os peixes que ele comprava dos pescadores que voltavam do alto mar. Mas eu, como muitos, não precisei de tanta proximidade para nutrir por ele uma admiração e, nesse momento, sentir muito pela sua ida para o mundo do qual viemos e para o qual todos voltaremos. Ao mesmo tempo me conforta ter a certeza que o cara de espírito elevado que sempre praticou o bem, que fez a alegria de muita gente e cultivou a simplicidade e a humildade está agora em paz, lúcido e com a consciência tranquila de quem viveu intensamente e só saudades boas deixou para nós, ainda prisioneiros desse mundo.”
(*)André Veras é advogado, surfista e amigo de Mateus.

