Nos bastidores da política piauiense, cresce a avaliação de que o Palácio Karnak trabalha para manter sob sua influência a maior parte dos institutos de pesquisa que atuam no estado. A estratégia teria como objetivo dificultar o acesso de adversários a levantamentos independentes e consolidar uma narrativa favorável ao grupo governista na corrida eleitoral de 2026. Segundo relatos de lideranças da oposição, institutos locais e até empresas de alcance nacional já estariam integrados ao círculo de prestadores de serviço ligados ao governo, o que alimenta dúvidas sobre a independência dos números divulgados ao longo do processo eleitoral.

A aposta do Karnak seria utilizar pesquisas sucessivas para criar um ambiente de favoritismo em favor dos seus candidatos, especialmente no interior do estado, onde os levantamentos costumam influenciar a formação de alianças e o posicionamento de lideranças políticas. Ocorre que essa estratégia já encontrou limitações em Teresina. Na eleição municipal, pesquisas divulgadas durante a campanha foram alvo de questionamentos e não conseguiram impedir surpresas registradas nas urnas, demonstrando que o eleitor nem sempre acompanha a tendência apontada pelos levantamentos.
Mesmo diante desse precedente, a avaliação de observadores políticos é que o governo continua acreditando na força das pesquisas como instrumento de influência eleitoral. A oposição, por sua vez, promete intensificar a fiscalização sobre contratos, metodologias e resultados divulgados durante a pré-campanha e a campanha de 2026. (Silas Freire)