Escritores piauienses estão isolados pelo Governo. A Secretaria de Educação até hoje, passados 25 anos da promulgação da Constituição Estadual de 1989, não conseguiu ou não teve interesse de regulamentar o artigo 226 e seus parágrafos, que torna obrigatório o ensino de literatura piauiense nas escolas do Estado. Na época da aprovação da lei o secretário de Educação era o deputado Átila Lira, que hoje ocupa o mesmo cargo.
Professores esforçados e comprometidos com a literatura, adotam, vez por outra, um livro piauiense em suas disciplinas, mas isso é facultado a quem tem boa vontade. Precisa o sistema de educação fazer a sua parte. Enquanto isso, a Secretaria de Educação publicou um edital licitando – como se diz, da noite para o dia – cerca de R$ 16 milhões para aquisição de livros, a grande maioria, de autores que não são piauienses e sequer conhecidos dos alunos da rede estadual. E o que se diz, uma compra dirigida, alcançando editoras e livrarias de outros Estados e alguns poucos felizardos daqui que, pelas vozes que ecoam no meio cultural, teriam tomado conhecimento do edital antes de sua publicação. Além disso, ninguém sabe quais as obras adquiridas. Escritores como Assis Brasil, O. G. Rego de Carvalho, Francisco Miguel de Moura, Dilson Lages Monteiro e tantos outros sentem-se como que excluídos do processo.Texto:Arimatéia Azevedo
