Lula coloca petistas do Nordeste no comando da campanha para o segundo turno

Da esquerda para direita: Rui Costa, Camilo Santana e Rafael Fonteles | Reprodução
Da esquerda para direita: Rui Costa, Camilo Santana e Rafael Fonteles | Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a coordenação nacional de sua campanha para o segundo turno e incluiu três políticos do Nordeste na estrutura de comando.

O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, assumirá a coordenação política. O senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, ficará responsável pela coordenação da agenda. Já o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), será responsável pela coordenação da comunicação.

A mudança ocorre após o primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Lula na disputa presidencial.

Nordeste entra no foco da campanha

A inclusão dos três petistas está relacionada à estratégia de ampliar a votação de Lula no Nordeste, segundo integrantes da campanha. O diagnóstico interno é de que a região tem potencial para aumentar a votação do presidente e reduzir a diferença registrada no primeiro turno. Em alguns estados nordestinos, Lula teve desempenho inferior ao registrado em 2022.

Camilo Santana, Rui Costa e Rafael Fonteles participaram de reuniões com Lula diariamente desde a última segunda-feira (5). Apesar da ampliação da estrutura, ninguém será retirado da coordenação da campanha, segundo integrantes da cúpula. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, continuará como coordenador-geral e dividirá decisões com os novos responsáveis.

Lula critica organização da campanha

Na quarta-feira (7), Lula afirmou que a atual campanha é a “menos organizada” de que participou desde 1989.

Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989, afirmou durante uma plenária com parlamentares do PT.

A transmissão da fala pelas redes sociais do partido foi retirada do ar logo depois da declaração. Segundo o texto, integrantes da campanha passaram a trocar acusações internamente sobre os responsáveis por problemas na condução da disputa.

Edinho e Sidônio são alvo de críticas

As mudanças ocorrem em meio a críticas internas à condução da campanha. Edinho Silva é alvo de críticas de integrantes do partido que consideram que ele centraliza decisões e mantém o foco no legado dos governos Lula, enquanto setores da campanha avaliam que o governo enfrenta problemas de avaliação entre os eleitores.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, também é alvo de críticas internas. Segundo integrantes da campanha, há questionamentos sobre a ênfase dada à soberania nacional e às terras raras, em detrimento de temas relacionados ao cotidiano dos eleitores.

Embora não faça parte formalmente da campanha, Sidônio participa de um núcleo que auxilia Lula nas principais decisões estratégicas. O grupo também reúne Edinho Silva, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Sidônio é sócio do marqueteiro Raul Rabello, que atua na campanha.

Kátia Abreu defende participação de Alckmin

Em uma reunião com integrantes do PT, a ex-senadora Kátia Abreu criticou o que considerou excesso de participação da primeira-dama Janja da Silva na campanha. Ela defendeu a inclusão do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na cúpula responsável pela coordenação da disputa.

Aliados de Lula também fazem críticas à atuação do presidente e afirmam, nos bastidores, que ele estaria mais fechado a sugestões durante a campanha.

Campanha amplia atuação nas redes sociais

Outra mudança ocorreu na estratégia de comunicação digital. Na quarta-feira (7), Lula se reuniu com influenciadores e parlamentares recém-eleitos com atuação nas redes sociais. O grupo passará a trabalhar em uma sala instalada no comitê da campanha, no Lago Sul, em Brasília.

O próprio Lula também passou a adotar uma postura diferente nas plataformas digitais. Apesar de afirmar que não gosta de usar celular e tirar selfies, o presidente começou a gravar vídeos nesse formato e a enviar mensagens de voz para apoiadores em grupos de aplicativos.

Na segunda etapa da campanha, Lula também passou a abordar com maior frequência temas como segurança pública e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), em tom mais duro do que o utilizado no primeiro turno.(MN)

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