A mãe de Alice Brasil, Dayana Brasil, publicou um vídeo nas redes sociais cobrando esclarecimentos sobre a morte da filha, ocorrida em uma unidade do Colégio CEV, fundado pelo governador do estado, Rafael Fonteles (PT). No pronunciamento, ela destacou supostas irregularidades na instituição e sobre uma dívida atribuída à escola, além de afirmar que um advogado da instituição chamou a filha de “notícia velha”.
A unidade onde Alice estudava integra o grupo e posteriormente passou a se chamar Colégio Kennedy. Segundo ela, após a morte da filha, vieram à tona irregularidades, entre elas o funcionamento da unidade sem alvará desde 2021. A mãe também questionou o prazo concedido pelo Conselho Municipal de Educação para a regularização.

“Quando essa tragédia aconteceu com a minha família, diversas irregularidades vieram à tona. Para que vocês tenham uma ideia, a unidade funcionava sem alvará desde 2021. Ao buscar a regularização, recebeu do Conselho Municipal de Educação, um prazo de 5 anos e 3 meses, superior ao limite máximo de 5 anos estabelecido pelo próprio Conselho”, declarou.
Outro ponto destacado foi uma dívida superior a R$ 135 milhões atribuída ao ensino médio da unidade, divulgada em agosto de 2025. De acordo com a mãe, cinco dias após a repercussão dos números nas redes sociais, o valor informado caiu.
“Outra descoberta vergonhosa veio em 25 de agosto de 2025, quando soubemos que o ensino médio da unidade em que minha filha estudava acumulava uma dívida superior a R$ 135 milhões com os cofres públicos. Após a divulgação desses números nas redes sociais, em cinco dias o valor caiu para R$ 11 milhões. Mais de R$ 120 milhões deixaram de constar no valor divulgado, sem um esclarecimento público satisfatório sobre essa redução”, ressaltou.
O inquérito policial concluiu que não havia responsáveis pela morte de Alice. Entretanto, o Ministério Público do Piauí discordou da conclusão e apontou elementos para responsabilizar criminalmente seis pessoas. Ela também relatou que, durante uma reunião entre advogados da família e o advogado criminalista do grupo educacional, ouviu que os familiares deveriam “arrefecer os ânimos” porque a morte da filha já teria se tornado “notícia velha”.
“Mesmo diante de toda a dor que temos enfrentado, em uma reunião entre nossos advogados, o advogado criminalista do CEV teve a ousadia de dizer que deveríamos arrefecer os ânimos, porque nossa filha já havia se tornado notícia velha. Gostaria de informar a esse advogado e a quem autorizou essa fala que a nossa filha não é uma notícia. Alice foi uma criança que viveu, foi e continua sendo profundamente amada”, afirmou.
Dayana ressaltou que a menina morreu dentro de uma instituição que tinha o dever de protegê-la. Ela afirmou que os encaminhamentos na esfera criminal estão praticamente concluídos e que a família agora buscará a responsabilização civil. A mãe de Alice voltou a cobrar respostas e afirmou que a ligação de Rafael Fonteles com a fundação da escola não pode ser apagada, mesmo após ele deixar a gestão sob responsabilidade da família.
“Ela morreu dentro de uma instituição que tinha o dever de protegê-la.Na esfera criminal, os encaminhamentos estão praticamente concluídos.Agora vamos buscar a responsabilização na esfera civil.E não podemos esquecer, Rafael Fonteles foi o fundador dessa escola e, embora tenha deixado sua gestão sob a responsabilidade da própria família,sua história com a instituição não pode ser apagada”, concluiu. (Luyze Sousa – )