
O deputado federal Merlong Solano (PT) criticou posicionamentos contrários ao fim da escala 6×1 e à redução da jornada de trabalho no Brasil. Segundo o parlamentar, há uma tentativa de barrar avanços trabalhistas com base em “medo e desinformação”. O parlamentar também reagiu às declarações do presidente da Federação do Comércio do Piauí, Valdeci Cavalcanti, que se posicionou contra o fim da escala 6×1.
Sem poupar críticas, Merlong acusou o dirigente de adotar um discurso “ultraconservador” e de generalizar ao afirmar que beneficiários de programas sociais não trabalham. O deputado comparou a resistência atual a outros momentos históricos de mudanças nas relações de trabalho, como o fim da escravidão e a ampliação de direitos trabalhistas.
“Toda vez que se fala em mudar a relação trabalhista, surge essa cantilena atrasada de que o mundo vai acabar”, disse.
O deputado defendeu que a redução da jornada sem diminuição salarial representa um avanço na qualidade de vida dos trabalhadores.
“Toda vez que o trabalhador avança, aparece o mesmo discurso: ‘vai quebrar a economia’. Mas a verdade é outra: lutar por uma jornada mais justa é garantir dignidade, saúde e qualidade de vida”, afirmou.
Merlong também destacou que a mudança permitiria mais tempo para atividades pessoais, como convivência familiar, qualificação profissional e cuidados com a saúde. Para ele, a resistência à proposta parte de um modelo “ultrapassado”, que, segundo disse, favorece a exaustão dos trabalhadores.
Ele também citou exemplos internacionais, afirmando que países já adotam jornadas semanais menores, entre 30 e 34 horas, e criticou o argumento de que a redução de 44 para 40 horas semanais prejudicaria a economia.
Merlong reforçou apoio ao fim da escala 6×1, que classificou como “desumana”, e afirmou que continuará defendendo a proposta no Congresso. O debate sobre a jornada de trabalho e as regras trabalhistas segue em discussão no país, dividindo opiniões entre representantes de trabalhadores e do setor produtivo.
“Tem gente fazendo drama pra manter um modelo ultrapassado, que só favorece a exaustão de quem trabalha. Em vez de atacar, por que não propor soluções? Reduzir a jornada pode significar mais produtividade, mais eficiência e trabalhadores mais motivados”, concluiu.